A Polícia Federal (PF) aponta que
presidentes de entidades envolvidas no esquema bilionário do
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) eram beneficiários de programas
sociais do governo federal, como Bolsa Família, Cadastro Único (CadÚnico) e
Auxílio Brasil. Os dados constam no inquérito da PF, obtido pela CNN neste
sábado (3).
Os dirigentes atuavam na Associação
dos Aposentados e Pensionistas Brasileiros (AAPB), na Associação Brasileira dos
Servidores Públicos (ABSP)/Associação dos Aposentados e Pensionistas do
Nacional( AAPEN) e na Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes
Geral e Próprio da Previdência Social (Universo).
“Cinco [eram] cadastradas no CadÚnico
e ou beneficiárias do Bolsa Família/Auxílio Brasil (AAPB, ABSP/AAPEN e
UNIVERSO), o que indicaria situação de pobreza e de vulnerabilidade e eventual
comprometimento do desempenho de funções gerenciais em entidades que gerenciam
montantes significativos de recursos”, diz o inquérito.
Veja:
Maria Ferreira da Silva assumiu a
presidência da AAPB em novembro de 2021. Inscrita no CadÚnico com renda
familiar per capta declarada de R$ 1.320;
Maria Liduina Pereira de Oliveira
assumiu a presidência da AAPB em fevereiro de 2022. Recebeu Bolsa Família até
outubro de 2015;
Maria Eudenes dos Santos assumiu a
presidência da ABSP/AAPEN em novembro de 2022. Foi beneficiária do Bolsa
Família até julho de 2021 e do Auxílio Brasil até fevereiro de 2022. Inscrita
no Cadúnico com renda per capta familiar declarada de R$ 1.320;
Francisca Da Silva de Souza assumiu a
presidência da ABSP/AAPEN em janeiro de 2024. Foi beneficiária do bolsa família
até outubro de 2015;
Valdira Prado Santana Santos assumiu a
presidência da Universo em janeiro de 2021. Está registrada no CadÚnico.
O inquérito da PF também apontou que
os presidentes das associações investigadas no esquema tinham idade avançada,
com aposentadoria por incapacidade permanente, com baixa renda e/ou sem
experiência empregatícia formal. De acordo com o documento, as características
podem indicar eventual comprometimento da capacidade para gerenciamento das
entidades.

