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A recente dança das cadeiras na
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte não deixa margem para romantismo:
a política partidária no estado segue guiada muito mais pela sobrevivência
eleitoral do que por qualquer compromisso ideológico.
Pelo menos 16 deputados estaduais
trocaram de legenda na janela partidária. O número, que ultrapassa 66% da
composição da Casa, expõe uma realidade já conhecida — mas nem sempre dita com
clareza: partidos, para muitos parlamentares, são apenas instrumentos
momentâneos de viabilidade eleitoral.
O crescimento do PL, que dobrou sua
bancada, não é fruto de uma guinada ideológica coletiva. É cálculo. É
estratégia. É a busca por abrigo em nominatas mais competitivas. O mesmo vale
para o avanço do PP e o reposicionamento de outras siglas.
Do outro lado, o PSDB, comandado por Ezequiel
Ferreira, sofre um esvaziamento que revela mais do que perda de força:
evidencia a fragilidade de um grupo político que, até pouco tempo, parecia
dominante dentro da Casa.
A federação liderada pelo PT mantém
estabilidade — mas não por fidelidade política generalizada, e sim por controle
interno mais rígido. Ainda assim, o alinhamento com a pré-candidatura de Cadu
Xavier mostra que o jogo já está em curso, sob a chancela da governadora Fátima
Bezerra.
Enquanto isso, o bloco que se forma em
torno de Allyson Bezerra tenta se consolidar como alternativa de poder,
trazendo para perto nomes como Hermano Morais. Já o PL aposta no capital
político de Álvaro Dias, numa tentativa clara de polarizar o cenário.
Mas, no fim das contas, o eleitor
precisa encarar uma pergunta incômoda: se os próprios deputados mudam de
partido com tanta facilidade, o que de fato representa o voto dado em 2022?
A janela partidária, que deveria ser
um mecanismo legal de organização política, acaba funcionando como um grande
“mercado de oportunidades”, onde o que está em jogo não é projeto de estado,
mas cálculo de votos.
E enquanto os partidos servem como peças intercambiáveis nesse tabuleiro, o debate público segue ficando em segundo plano.
Veja as mudanças:
- Cristiane
Dantas: Solidariedade → PSDB
- Dr.
Bernardo: PSDB → PV
- Dr.
Kerginaldo: PSDB → PL
- Galeno
Torquato: PSDB → União Brasil
- Gustavo
Carvalho: PSDB → PL
- Hermano
Morais: PV → MDB
- Ivanilson
Oliveira: União Brasil → PV
- José
Dias: PSDB → PL
- Kleber
Rodrigues: PSDB → PP
- Luiz
Eduardo: Solidariedade → PL
- Neilton
Diógenes: PL → PP
- Nelter
Queiroz: PSDB → PP
- Taveira
Júnior: União Brasil → PSDB
- Tomba
Farias: PSDB → PL
- Ubaldo
Fernandes: PSDB → PV


