quinta-feira, 9 de abril de 2026

Troca-troca na ALRN escancara pragmatismo político e esvazia discurso ideológico

 

ALRN

A recente dança das cadeiras na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte não deixa margem para romantismo: a política partidária no estado segue guiada muito mais pela sobrevivência eleitoral do que por qualquer compromisso ideológico.

Pelo menos 16 deputados estaduais trocaram de legenda na janela partidária. O número, que ultrapassa 66% da composição da Casa, expõe uma realidade já conhecida — mas nem sempre dita com clareza: partidos, para muitos parlamentares, são apenas instrumentos momentâneos de viabilidade eleitoral.

O crescimento do PL, que dobrou sua bancada, não é fruto de uma guinada ideológica coletiva. É cálculo. É estratégia. É a busca por abrigo em nominatas mais competitivas. O mesmo vale para o avanço do PP e o reposicionamento de outras siglas.

Do outro lado, o PSDB, comandado por Ezequiel Ferreira, sofre um esvaziamento que revela mais do que perda de força: evidencia a fragilidade de um grupo político que, até pouco tempo, parecia dominante dentro da Casa.

A federação liderada pelo PT mantém estabilidade — mas não por fidelidade política generalizada, e sim por controle interno mais rígido. Ainda assim, o alinhamento com a pré-candidatura de Cadu Xavier mostra que o jogo já está em curso, sob a chancela da governadora Fátima Bezerra.

Enquanto isso, o bloco que se forma em torno de Allyson Bezerra tenta se consolidar como alternativa de poder, trazendo para perto nomes como Hermano Morais. Já o PL aposta no capital político de Álvaro Dias, numa tentativa clara de polarizar o cenário.

Mas, no fim das contas, o eleitor precisa encarar uma pergunta incômoda: se os próprios deputados mudam de partido com tanta facilidade, o que de fato representa o voto dado em 2022?

A janela partidária, que deveria ser um mecanismo legal de organização política, acaba funcionando como um grande “mercado de oportunidades”, onde o que está em jogo não é projeto de estado, mas cálculo de votos.

E enquanto os partidos servem como peças intercambiáveis nesse tabuleiro, o debate público segue ficando em segundo plano. 

Veja as mudanças:

  • Adjuto Dias: MDB  PL
    • Cristiane Dantas: Solidariedade PSDB
    • Dr. Bernardo: PSDB PV
    • Dr. Kerginaldo: PSDB PL
    • Galeno Torquato: PSDB  União Brasil
    • Gustavo Carvalho: PSDB PL
    • Hermano Morais: PV MDB
    • Ivanilson Oliveira: União Brasil PV
    • José Dias: PSDB PL
    • Kleber Rodrigues: PSDB PP
    • Luiz Eduardo: Solidariedade PL
    • Neilton Diógenes: PL PP
    • Nelter Queiroz: PSDB PP
    • Taveira Júnior: União Brasil PSDB
    • Tomba Farias: PSDB PL
    • Ubaldo Fernandes: PSDB PV