O pré-candidato ao Senado Rafael Motta
trouxe ao debate público algo que há muito tempo circulava apenas nos
bastidores da política potiguar — e fez isso de forma direta, sem rodeios.
Durante entrevista à 98 FM, Motta
elevou o tom contra o senador Rogério Marinho ao afirmar que o adversário teria
“comprado o mandato” nas eleições de 2022. A declaração se apoia na tese de que
o volume expressivo de recursos federais destinados ao Rio Grande do Norte, à
época em que Marinho ocupava um ministério no governo federal, teria
interferido no equilíbrio da disputa.
A crítica não é isolada — é, na
verdade, a verbalização de uma percepção já difundida entre lideranças
políticas: a de que houve um desequilíbrio estrutural naquele pleito. Segundo
Motta, o uso intensivo de investimentos públicos ampliou a capacidade de articulação
política do então candidato, sobretudo junto a prefeitos e bases locais.
Em outras palavras, o que agora vem à
tona não representa exatamente uma novidade no cenário político do RN, mas sim
a confirmação pública de um jogo que muitos já apontavam, ainda que de forma
silenciosa.
O debate, a partir disso, deixa de ser
apenas eleitoral e passa a tocar em um ponto mais sensível: até que ponto o uso
da máquina pública pode — ou não — influenciar diretamente o resultado das
urnas?

