quinta-feira, 26 de março de 2026

Xadrez político no RN: saídas no governo revelam estratégias para eleição

 


O movimento já começou — e não é por acaso. A chamada desincompatibilização funciona como um verdadeiro “start” informal da corrida eleitoral no Rio Grande do Norte, obrigando quem está no governo a escolher entre a gestão e o palanque.

No caso do governo da Governo do Rio Grande do Norte, a saída de seis secretários até o dia 4 de abril redesenha o tabuleiro político e sinaliza, com mais clareza, quem de fato entra no jogo de 2026.

O nome mais relevante nesse pacote é o de Cadu Xavier. Pré-candidato ao governo pelo Partido dos Trabalhadores, ele deixa a Secretaria da Fazenda como peça central do projeto governista. Sua saída não é apenas burocrática — é estratégica. Marca a transição de técnico da gestão para protagonista político, com um evento de despedida que deve reunir servidores e reforçar pontes com categorias organizadas.

Na mesma linha, o secretário de Saúde, Alexandre Motta, também entra no radar eleitoral. Com histórico de candidaturas anteriores, sua eventual saída reforça a tese de que o campo governista pretende apresentar múltiplas opções competitivas.

Outro nome importante é Alexandre Lima, ligado à agricultura familiar — setor com peso político significativo no interior. Se confirmar candidatura, amplia a presença do PT em bases estratégicas fora dos grandes centros.

Já Marina Marinho surge como peça versátil: pode disputar vaga na Assembleia Legislativa ou até compor como vice em uma chapa majoritária. Sua experiência como ex-prefeita reforça esse potencial de articulação.

No campo aliado, dois nomes do Partido Comunista do Brasil também avaliam o movimento: Júlia Arruda e Cezinha Nunes, ambos cotados para a disputa proporcional.

O cenário que se desenha é claro: o governo começa a se desidratar tecnicamente para se fortalecer politicamente. Ao mesmo tempo, abre espaço para uma mini-reforma administrativa, que pode indicar o grau de continuidade ou mudança na condução da gestão.

No fim das contas, mais do que cumprir uma exigência legal, essas saídas revelam quem tem projeto, quem tem base e quem está disposto a arriscar capital político. É o momento em que o discurso dá lugar à movimentação real — e o eleitor começa a enxergar, sem filtro, quem quer de fato entrar na disputa.