O movimento já começou — e não é por
acaso. A chamada desincompatibilização funciona como um verdadeiro “start”
informal da corrida eleitoral no Rio Grande do Norte, obrigando quem está no
governo a escolher entre a gestão e o palanque.
No caso do governo da Governo do Rio
Grande do Norte, a saída de seis secretários até o dia 4 de abril redesenha o
tabuleiro político e sinaliza, com mais clareza, quem de fato entra no jogo de
2026.
O nome mais relevante nesse pacote é o
de Cadu Xavier. Pré-candidato ao governo pelo Partido dos Trabalhadores, ele
deixa a Secretaria da Fazenda como peça central do projeto governista. Sua
saída não é apenas burocrática — é estratégica. Marca a transição de técnico da
gestão para protagonista político, com um evento de despedida que deve reunir
servidores e reforçar pontes com categorias organizadas.
Na mesma linha, o secretário de Saúde,
Alexandre Motta, também entra no radar eleitoral. Com histórico de candidaturas
anteriores, sua eventual saída reforça a tese de que o campo governista
pretende apresentar múltiplas opções competitivas.
Outro nome importante é Alexandre Lima,
ligado à agricultura familiar — setor com peso político significativo no
interior. Se confirmar candidatura, amplia a presença do PT em bases
estratégicas fora dos grandes centros.
Já Marina Marinho surge como peça
versátil: pode disputar vaga na Assembleia Legislativa ou até compor como vice
em uma chapa majoritária. Sua experiência como ex-prefeita reforça esse
potencial de articulação.
No campo aliado, dois nomes do Partido
Comunista do Brasil também avaliam o movimento: Júlia Arruda e Cezinha Nunes,
ambos cotados para a disputa proporcional.
O cenário que se desenha é claro: o
governo começa a se desidratar tecnicamente para se fortalecer politicamente.
Ao mesmo tempo, abre espaço para uma mini-reforma administrativa, que pode
indicar o grau de continuidade ou mudança na condução da gestão.
No fim das contas, mais do que cumprir
uma exigência legal, essas saídas revelam quem tem projeto, quem tem base e
quem está disposto a arriscar capital político. É o momento em que o discurso
dá lugar à movimentação real — e o eleitor começa a enxergar, sem filtro, quem
quer de fato entrar na disputa.


