segunda-feira, 30 de março de 2026

Mudança na Sefaz do RN escancara jogo político e estratégia eleitoral do governo Fátima

 


A governadora Fátima Bezerra oficializou, nesta segunda-feira (30), uma reconfiguração importante no núcleo econômico do Estado. A saída de Carlos Eduardo Xavier da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Norte, após sete anos no cargo, não acontece por acaso: atende à regra de desincompatibilização e, na prática, marca o início de um novo capítulo político.

Para o lugar de Xavier, o governo escolheu Álvaro Bezerra, nome da casa e já inserido na engrenagem fiscal do Estado. A escolha reforça o discurso de continuidade e estabilidade — uma mensagem direta ao mercado e à população em um momento sensível.

Durante o anúncio, Fátima fez questão de elevar o tom ao se referir ao ex-secretário, destacando sua capacidade de articulação e o papel de destaque dentro do governo. Mais do que reconhecimento, a fala funciona como sinal político: Xavier deixa o cargo fortalecido e com visibilidade ampliada para a disputa eleitoral que se aproxima.

Mas a mudança não parou por aí.

A auditora fiscal Jane Araújo foi nomeada para a Secretaria de Administração, enquanto Rodrigo Otávio da Cunha assume a Secretaria Executiva da Receita. As escolhas seguem um padrão claro: técnicos com experiência interna, garantindo que a máquina continue funcionando sem sobressaltos.

Nos bastidores, o movimento é outro

Embora o discurso oficial seja de reorganização administrativa, o timing das mudanças revela uma estratégia bem calculada. Em ano eleitoral, manter o controle das contas públicas é essencial, mas também é fundamental posicionar nomes fortes para o jogo político.

A saída de Carlos Eduardo Xavier, nesse contexto, representa mais do que uma simples troca de comando: é a transição de um técnico para um possível protagonista eleitoral.

Entre a técnica e a política

O governo tenta equilibrar dois pilares: preservar a estabilidade fiscal e avançar na construção de seu projeto político. A permanência de quadros técnicos na estrutura sinaliza responsabilidade administrativa, enquanto a movimentação de lideranças evidencia que a disputa eleitoral já começou — mesmo antes da campanha oficial.

Enfim

A reforma na equipe econômica não é apenas sobre gestão. É sobre poder, continuidade e estratégia.