A governadora Fátima Bezerra
oficializou, nesta segunda-feira (30), uma reconfiguração importante no núcleo
econômico do Estado. A saída de Carlos Eduardo Xavier da Secretaria da Fazenda
do Rio Grande do Norte, após sete anos no cargo, não acontece por acaso: atende
à regra de desincompatibilização e, na prática, marca o início de um novo
capítulo político.
Para o lugar de Xavier, o governo
escolheu Álvaro Bezerra, nome da casa e já inserido na engrenagem fiscal do
Estado. A escolha reforça o discurso de continuidade e estabilidade — uma
mensagem direta ao mercado e à população em um momento sensível.
Durante o anúncio, Fátima fez questão
de elevar o tom ao se referir ao ex-secretário, destacando sua capacidade de
articulação e o papel de destaque dentro do governo. Mais do que
reconhecimento, a fala funciona como sinal político: Xavier deixa o cargo fortalecido
e com visibilidade ampliada para a disputa eleitoral que se aproxima.
Mas a mudança não parou por aí.
A auditora fiscal Jane Araújo foi
nomeada para a Secretaria de Administração, enquanto Rodrigo Otávio da Cunha
assume a Secretaria Executiva da Receita. As escolhas seguem um padrão claro:
técnicos com experiência interna, garantindo que a máquina continue funcionando
sem sobressaltos.
Nos bastidores, o movimento é outro
Embora o discurso oficial seja de
reorganização administrativa, o timing das mudanças revela uma estratégia bem
calculada. Em ano eleitoral, manter o controle das contas públicas é essencial,
mas também é fundamental posicionar nomes fortes para o jogo político.
A saída de Carlos Eduardo Xavier,
nesse contexto, representa mais do que uma simples troca de comando: é a
transição de um técnico para um possível protagonista eleitoral.
Entre a técnica e a política
O governo tenta equilibrar dois
pilares: preservar a estabilidade fiscal e avançar na construção de seu projeto
político. A permanência de quadros técnicos na estrutura sinaliza
responsabilidade administrativa, enquanto a movimentação de lideranças evidencia
que a disputa eleitoral já começou — mesmo antes da campanha oficial.
Enfim
A reforma na equipe econômica não é
apenas sobre gestão. É sobre poder, continuidade e estratégia.


