Depois de ver o sucesso do Alto Folia,
confesso que o que mais chamou atenção não foi a festa — foi a legenda. A
publicação de Dra. Raquel, prefeita da cidade, com o curioso
“AltofoliaOFC de verdade”. Esse contexto me levantou uma dúvida inevitável:
quer dizer então que, durante décadas, o evento era de mentirinha?
Fica difícil entender o raciocínio
Afinal, estamos falando de uma festa que não nasceu agora, nem brotou por
decreto em rede social. São 30 anos de história construída por gente da terra,
por nomes como Dora, Sandra, Teresa Cristina e tantos outros que, muito antes
de qualquer gestão atual, já colocavam o bloco na rua com organização, união e,
principalmente, identidade.
Identidade, aliás, que parece ter sido
ignorada — ou convenientemente reinterpretada — quando se tenta carimbar o
presente como o único momento “de verdade”.
A pergunta é simples
Qual a
necessidade de um gestor público diminuir, ainda que de forma indireta, tudo o
que foi feito antes? É falta de memória, excesso de vaidade ou apenas descuido
com as palavras?
Porque, no fim das contas, gestor
passa. A história fica.
E quando se tenta reescrever essa
história como se ela tivesse começado agora, o recado que chega para quem
construiu tudo lá atrás é claro — e nada elegante.
Talvez valha a reflexão: se hoje o
Alto Folia é o que é, não se deve a uma gestão específica, mas a uma construção
coletiva de décadas. Ignorar isso não engrandece o presente — só apequena o
discurso.
E fica um exercício interessante
Quando chegar a vez de outra gestão, será que a prefeita Dra Raquel vai gostar,
quando reconhecerem, que somente naquele momento o evento virou “de verdade”?...
Quer dizer; Não pratique contra os
outros, aquilo que não deve ser praticado contra você.
Com a palavra, prefeita Dra Raquel....


