quarta-feira, 16 de julho de 2025

Incluindo Macau, Justiça Federal realiza inspeções em salinas do RN por danos ambientais

 


Equipes das 11ª, 10ª e 8ª Varas da Justiça Federal no Rio Grande do Norte realizaram, na última semana (10), uma força-tarefa para inspecionar 17 salinas localizadas nos municípios de Macau, Guamaré, Porto do Mangue, Mossoró, Areia Branca e Grossos. A operação faz parte de processos judiciais que apuram os impactos ambientais da atividade salineira na região.

A ação foi coordenada pelos juízes federais Madja Moura (11ª Vara – Assu), Lauro Bandeira (10ª Vara – Mossoró) e João Batista Braga (8ª Vara – Mossoró). Mais de 30 pessoas participaram da inspeção, incluindo técnicos, assessores, representantes do Ministério Público Federal (MPF), Idema, Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e das próprias empresas salineiras.

Os processos envolvem denúncias de danos ao meio ambiente, especialmente em áreas de proteção permanente, manguezais e cursos d’água. A atividade salineira — embora estratégica para a economia local e responsável por colocar o RN como o maior produtor de sal do Brasil — vem sendo questionada por seus efeitos nocivos ao ecossistema.

De acordo com os magistrados, o objetivo das inspeções é reunir elementos técnicos que auxiliem na decisão judicial e buscar soluções que conciliem a exploração do sal com a preservação ambiental. Em tempos em que o discurso do desenvolvimento sustentável ganha força, cresce também a cobrança por responsabilidade ambiental de setores produtivos historicamente instalados no Estado.

O que se observa, no entanto

É que por muitos anos a atividade salineira cresceu à margem da fiscalização ambiental, protegida por interesses econômicos e políticos locais. O resultado é um passivo ambiental visível e preocupante. A presença da Justiça nas salinas é um sinal claro de que o modelo de exploração predatória está com os dias contados — e de que não é mais possível falar em progresso sem respeito ao meio ambiente e às comunidades que dele dependem.