sexta-feira, 27 de março de 2026

Tragédia anunciada: terceira morte expõe colapso no atendimento de diálise em Mossoró

 


O que aconteceu no centro de diálise de Mossoró está longe de ser um episódio isolado — e muito menos algo que possa ser esquecido com o passar dos dias.

A sequência de fatos é grave, preocupante e revela falhas que vão além de um problema técnico.

Nesta semana, foi confirmada a terceira morte de paciente ligada à unidade, que já havia sido interditada após outros dois óbitos registrados dentro do próprio centro.

A vítima mais recente foi Marivânia Freire Mendonça, de 36 anos, moradora de Grossos. Paciente renal crônica, ela dependia de sessões regulares de hemodiálise para sobreviver. Segundo a família, fazia tratamento três vezes por semana.

Mas não foi o que aconteceu.

Sem tratamento, sem alternativa, sem resposta

Com a interdição da clínica, Marivânia ficou cerca de quatro dias sem realizar hemodiálise. Um intervalo crítico para qualquer paciente renal.

Na quarta-feira (26), após passar mal em casa, ela ainda procurou atendimento médico, sendo encaminhada ao hospital municipal. Não resistiu.

Diferente das outras duas vítimas, que morreram dentro da unidade, Marivânia morreu fora dela — mas não fora do problema.

Sua morte escancara uma pergunta inevitável:
quem garantiu a continuidade do tratamento desses pacientes após o fechamento da clínica?