O que aconteceu no centro de diálise
de Mossoró está longe de ser um episódio isolado — e muito menos algo que possa
ser esquecido com o passar dos dias.
A sequência de fatos é grave,
preocupante e revela falhas que vão além de um problema técnico.
Nesta semana, foi confirmada a
terceira morte de paciente ligada à unidade, que já havia sido interditada
após outros dois óbitos registrados dentro do próprio centro.
A vítima mais recente foi Marivânia
Freire Mendonça, de 36 anos, moradora de Grossos. Paciente renal crônica,
ela dependia de sessões regulares de hemodiálise para sobreviver. Segundo a
família, fazia tratamento três vezes por semana.
Mas não foi o que aconteceu.
Sem tratamento, sem alternativa, sem
resposta
Com a interdição da clínica, Marivânia
ficou cerca de quatro dias sem realizar hemodiálise. Um intervalo
crítico para qualquer paciente renal.
Na quarta-feira (26), após passar mal
em casa, ela ainda procurou atendimento médico, sendo encaminhada ao hospital
municipal. Não resistiu.
Diferente das outras duas vítimas, que
morreram dentro da unidade, Marivânia morreu fora dela — mas não fora do
problema.
Sua morte escancara uma pergunta
inevitável:
quem garantiu a continuidade do tratamento desses pacientes após o
fechamento da clínica?


