segunda-feira, 16 de março de 2026

Oscar 2026: muito aplauso, pouca estatueta — até quando o Brasil continuará sendo apenas indicado, mas raramente premiado?

 


Apesar de toda a expectativa criada em torno de O Agente Secreto, o Brasil encerrou sua participação no Academy Awards sem subir ao palco para receber a tão sonhada estatueta. O longa dirigido por Kleber Mendonça Filho chegou à premiação cercado de elogios da crítica internacional e impulsionado por uma forte campanha, concorrendo em quatro categorias importantes.

A produção brasileira disputava Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e ainda a categoria inédita de Direção de Elenco. Era uma presença significativa e que alimentava a esperança de finalmente ver o cinema nacional conquistar um espaço histórico no Oscar.

Mas, na prática, o desfecho foi outro.

Na categoria de Melhor Filme Internacional, o brasileiro foi superado pelo norueguês Valor Sentimental, dirigido por Joachim Trier. Já na disputa por Melhor Ator, Wagner Moura — amplamente elogiado pela crítica por sua interpretação — viu a estatueta ir para Michael B. Jordan, pelo filme Pecadores, dirigido por Ryan Coogler.

Na categoria inédita de Direção de Elenco, o prêmio ficou com Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, que também levou o principal troféu da noite, o de Melhor Filme.

O resultado

Embora frustrante para quem torcia pelo cinema brasileiro, levanta uma discussão que não é nova. O Brasil frequentemente chega perto, recebe elogios, ganha destaque em festivais internacionais e mobiliza campanhas fortes — mas, quando chega a hora da decisão final da Academia, o prêmio acaba indo para outras produções.

Isso levanta questionamentos sobre os bastidores da própria premiação. O Oscar não é apenas uma avaliação artística. A disputa envolve influência da indústria, força de mercado, campanhas milionárias e a estrutura de distribuição das grandes produtoras internacionais.

Nesse cenário

Países que não fazem parte do eixo dominante da indústria cinematográfica acabam enfrentando obstáculos muito maiores.

Mesmo sem estatuetas, a presença de O Agente Secreto em quatro categorias mostra que o cinema brasileiro continua vivo, criativo e relevante. O reconhecimento internacional existe — o que ainda falta, ao que parece, é transformar esse reconhecimento em vitória na maior vitrine do cinema mundial.

Por enquanto

O sonho do primeiro Oscar de destaque para o cinema brasileiro segue adiado. Mas a pergunta que permanece é inevitável:

até quando o Brasil continuará sendo apenas indicado, mas raramente premiado?