A decisão da Procuradoria Geral do
Município de Mossoró de recomendar a suspensão imediata dos contratos com
empresas investigadas na Operação Mederi não foi um ato político, tampouco
excessivo. Foi, acima de tudo, o cumprimento do dever legal diante de indícios
graves já reconhecidos pela Polícia Federal e pela Justiça Federal.
Quando há autorização judicial para
investigação, bloqueio milionário de bens e restrições severas impostas a
sócios e administradores, o poder público não pode agir com complacência. A
cautela, nesse caso, não é opção — é obrigação.
O ponto central, porém, vai além de
Mossoró. As empresas investigadas mantêm contratos com outros municípios do Rio
Grande do Norte. Diante desse cenário, é inevitável a pergunta: quem
assegura que as práticas suspeitas não tenham sido estendidas a outras gestões
municipais? Fingir que o problema é isolado seria, no mínimo,
irresponsável.
A adoção de medidas preventivas pelos
demais municípios não representa condenação antecipada, mas sim zelo com o
dinheiro público e respeito à população, especialmente quando os recursos
envolvidos são da saúde. Manter contratos sob suspeita, ignorando investigações
em curso, expõe gestores a riscos administrativos, jurídicos e políticos.
A Operação Mederi acendeu um sinal
vermelho. Cabe agora às demais prefeituras do estado demonstrar compromisso com
a legalidade, a transparência e o interesse público, adotando as providências
necessárias até que os fatos sejam plenamente esclarecidos.

