terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Operação Mederi expõe alerta que vai além de Mossoró

 


A decisão da Procuradoria Geral do Município de Mossoró de recomendar a suspensão imediata dos contratos com empresas investigadas na Operação Mederi não foi um ato político, tampouco excessivo. Foi, acima de tudo, o cumprimento do dever legal diante de indícios graves já reconhecidos pela Polícia Federal e pela Justiça Federal.

Quando há autorização judicial para investigação, bloqueio milionário de bens e restrições severas impostas a sócios e administradores, o poder público não pode agir com complacência. A cautela, nesse caso, não é opção — é obrigação.

O ponto central, porém, vai além de Mossoró. As empresas investigadas mantêm contratos com outros municípios do Rio Grande do Norte. Diante desse cenário, é inevitável a pergunta: quem assegura que as práticas suspeitas não tenham sido estendidas a outras gestões municipais? Fingir que o problema é isolado seria, no mínimo, irresponsável.

A adoção de medidas preventivas pelos demais municípios não representa condenação antecipada, mas sim zelo com o dinheiro público e respeito à população, especialmente quando os recursos envolvidos são da saúde. Manter contratos sob suspeita, ignorando investigações em curso, expõe gestores a riscos administrativos, jurídicos e políticos.

A Operação Mederi acendeu um sinal vermelho. Cabe agora às demais prefeituras do estado demonstrar compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público, adotando as providências necessárias até que os fatos sejam plenamente esclarecidos.