terça-feira, 6 de janeiro de 2026

João Câmara: quando a educação deixa de ser prioridade

 


Em João Câmara, a retórica oficial sobre valorização da educação não resiste à frieza dos números. O discurso é bonito, mas a prática orçamentária conta outra história — e uma história preocupante.

A gestão da prefeita Aize decidiu cortar de forma expressiva os recursos destinados à educação. Para 2025, o orçamento aprovado previa R$ 70.048.211,00. Já a proposta enviada pelo Executivo para 2026 reduz esse valor para R$ 56.752.324,00. Na prática, quase R$ 15 milhões a menos em uma área que deveria ser intocável.

Não se trata de um ajuste técnico ou de uma simples readequação contábil. Trata-se de uma escolha política. Menos recursos significam escolas mais precarizadas, dificuldades na valorização dos profissionais, riscos ao transporte escolar, à merenda e à infraestrutura da rede municipal. Quem paga essa conta é o aluno, o professor e, em última instância, toda a sociedade.

Mais grave ainda é o silêncio da Câmara Municipal. Os vereadores aprovaram a proposta sem resistência, sem debate público e sem demonstrar qualquer preocupação com o impacto direto desse corte. Ao agir assim, o Legislativo deixou de cumprir seu papel fiscalizador e optou por chancelar uma redução drástica em um setor estratégico.

As leis orçamentárias estão publicadas no site oficial da Câmara e confirmam o que muitos tentavam minimizar: a educação perdeu espaço nas prioridades da atual gestão.

Diante disso, a pergunta é inevitável: se a educação não é prioridade, o que realmente é? Em um município que depende do ensino para romper ciclos de desigualdade e construir desenvolvimento, cortar quase R$ 15 milhões da educação não é apenas um erro administrativo — é uma decisão política que cobra, e cobrará, um preço alto à população de João Câmara.