Em João Câmara, a retórica oficial
sobre valorização da educação não resiste à frieza dos números. O discurso é
bonito, mas a prática orçamentária conta outra história — e uma história
preocupante.
A gestão da prefeita Aize decidiu
cortar de forma expressiva os recursos destinados à educação. Para 2025, o
orçamento aprovado previa R$ 70.048.211,00. Já a proposta enviada pelo
Executivo para 2026 reduz esse valor para R$ 56.752.324,00. Na prática, quase
R$ 15 milhões a menos em uma área que deveria ser intocável.
Não se trata de um ajuste técnico ou
de uma simples readequação contábil. Trata-se de uma escolha política. Menos
recursos significam escolas mais precarizadas, dificuldades na valorização dos
profissionais, riscos ao transporte escolar, à merenda e à infraestrutura da
rede municipal. Quem paga essa conta é o aluno, o professor e, em última
instância, toda a sociedade.
Mais grave ainda é o silêncio da
Câmara Municipal. Os vereadores aprovaram a proposta sem resistência, sem
debate público e sem demonstrar qualquer preocupação com o impacto direto desse
corte. Ao agir assim, o Legislativo deixou de cumprir seu papel fiscalizador e
optou por chancelar uma redução drástica em um setor estratégico.
As leis orçamentárias estão publicadas
no site oficial da Câmara e confirmam o que muitos tentavam minimizar: a
educação perdeu espaço nas prioridades da atual gestão.
Diante disso, a pergunta é inevitável:
se a educação não é prioridade, o que realmente é? Em um município que depende
do ensino para romper ciclos de desigualdade e construir desenvolvimento,
cortar quase R$ 15 milhões da educação não é apenas um erro administrativo — é
uma decisão política que cobra, e cobrará, um preço alto à população de João
Câmara.

