sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Direita no RN quer o voto bolsonarista, mas foge de Bolsonaro; com a palavra Álvaro Dias e o senador Styvenson Valentim

 


Os principais aliados do senador Rogério Marinho no Rio Grande do Norte têm algo em comum: nenhum se assume bolsonarista. Ainda assim, todos disputam com afinco o voto do eleitor que segue Jair Bolsonaro.

Álvaro Dias, pré-candidato ao Governo do RN, foi explícito em entrevista ao Radar 95, da Rádio 95 FM: não se considera bolsonarista.
Styvenson Valentim, ao anunciar sua candidatura à reeleição ao Senado, adotou discurso semelhante: também não é bolsonarista, embora reconheça afinidade com pautas da direita.

A contradição é só aparente.

Bolsonaro continua tendo uma base fiel no estado, organizada e engajada. Ignorar esse eleitor seria erro estratégico. O problema é que o ex-presidente também carrega rejeição elevada, desgaste institucional e um histórico recente que pesa negativamente junto ao eleitor moderado — aquele que decide eleição.

Resultado: a direita potiguar tenta o caminho do meio.
Defende pautas conservadoras, critica a esquerda, acena para o bolsonarismo, mas evita o rótulo e a foto.

Quer o voto, não o desgaste.

Rogério Marinho, bolsonarista assumido e cada vez mais ligado ao núcleo duro da família Bolsonaro, cumpre papel nacional. Já seus aliados locais sabem que, em eleições majoritárias no RN, a associação direta com Bolsonaro pode mais atrapalhar do que ajudar.

Por isso, o discurso ensaiado:
“Não sou bolsonarista, mas concordo em muita coisa.”
“Não sigo Bolsonaro, mas respeito seus eleitores.”

Tradução clara: bolsonarista é bem-vindo no palanque; Bolsonaro, nem tanto.

Resta saber se o eleitor vai aceitar essa engenharia política ou se vai cobrar coerência na hora do voto.