Nada contra proposições ninguém, cada ambiente legislativo
ofereça aquilo que lhe ache conveniente e importante para seus municípios.
Mas
Não poderia deixar de falar de um tema
importante e trazer a discussão para realidade atual, pois se trata de história, cultura e tradição que vem se transformando em
banalidade.
Veja bem
Nos últimos tempos, o que deveria ser um gesto nobre de valorização da cultura tem se tornado uma formalidade esvaziada e, muitas vezes, usada de forma política pelas Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte. Falo da avalanche de projetos que reconhecem manifestações, símbolos e elementos locais como patrimônio imaterial — mas que, na prática, não passam de papel timbrado com efeito apenas midiático.
Cidades como Mossoró, Assú, Areia Branca, Macau e tantas outras vêm adotando esse tipo de reconhecimento em série, com pouca ou nenhuma participação popular, sem estudos técnicos e sem compromisso com a salvaguarda real do bem cultural.
Reconhecer a Procissão de São João Batista, o Chapéu de Couro, a Praia de Upanema ou até mesmo o Roçado de São Pedro como patrimônio imaterial pode até parecer uma iniciativa justa — e, de fato, cada elemento desses tem valor simbólico.
Mas aí vem a pergunta que incomoda:
Quem estudou isso?...
Quem da população foi ouvido?...
Onde está o plano de preservação disso tudo?...
Que benefício real
chega à ponta?...
O que deveria ser uma política de Estado virou estratégia de ocasião. Muitas vezes usada para agradar determinados segmentos, fazer média com lideranças religiosas ou culturais, e até para marcar presença em datas comemorativas com fins eleitorais.
Enfim
O patrimônio imaterial exige mais que
decreto: exige ação. Exige registro, documentação, fomento, inclusão nas
escolas, visibilidade nos meios de comunicação e, principalmente, respeito
àqueles que mantêm viva a cultura — os verdadeiros mestres populares.
Em vez de construir políticas de
salvaguarda reais, com incentivo à preservação, à educação patrimonial e ao
repasse geracional de saberes, o que se vê é um festival de títulos, muitas
vezes votados em sessões vazias de participação popular.
A pergunta que fica é: o que muda na prática para o povo destes municípios quando algo é tombado como patrimônio imaterial, sem diálogo, sem plano e sem
investimento?
Reconhecer um bem imaterial não pode
ser um troféu simbólico para cabide político. A cultura precisa ser tratada com
o respeito que merece, como política pública real, não como marketing
institucional.
Estamos tratando a cultura como enfeite. Como cortesia política. E isso é um erro grave.


