sexta-feira, 1 de agosto de 2025
Planos de saúde atenderão pacientes do SUS a partir deste mês de agosto
Pacientes do Sistema Único de Saúde
(SUS) poderão ser atendidos em hospitais e clínicas de planos de saúde a partir
deste mês de agosto. A medida tem como objetivo reduzir as longas filas por
atendimento especializado na rede pública e integra o programa Agora Tem
Especialistas, anunciado pelo Ministério da Saúde.
As operadoras podem quitar dívidas com
o SUS, que somam mais de R$ 1 bilhão, oferecendo serviços diretamente aos
usuários do sistema público. O Ministério da Saúde estima que, no primeiro
momento, cerca de R$ 750 milhões devem ser convertidos em consultas, exames e
cirurgias eletivas em sete especialidades prioritárias.
A nova parceria entre SUS e planos de
saúde não permite que qualquer paciente escolha ser atendido em um hospital
privado. O acesso seguirá o fluxo atual do SUS:
- O paciente procura uma Unidade
Básica de Saúde (UBS).
- O médico da UBS avalia a necessidade
de atendimento especializado.
- A solicitação é inserida na central
pública de regulação, gerida por estados ou municípios.
- A regulação define o local de
atendimento, que poderá ser uma unidade da rede privada conveniada.
A seleção dos pacientes seguirá
critérios clínicos e de prioridade, com foco nas especialidades com maior
demanda: oncologia, ortopedia, oftalmologia, ginecologia, otorrinolaringologia,
cardiologia e cirurgia geral.
“O cidadão não vai precisar fazer
nenhum movimento extraordinário. Ele será agendado e informado, inclusive por
WhatsApp”, explica ao g1 o diretor da Secretaria de Atenção Especializada à
Saúde do Ministério da Saúde, Rodrigo Oliveira.
Adesão dos planos?
A participação das operadoras é
voluntária. Para aderir, elas devem comprovar capacidade técnica e operacional
e apresentar uma proposta de oferta de serviços. Essas propostas serão
avaliadas pelo Ministério da Saúde, que verificará se as demandas do SUS na
região serão atendidas.
A adesão será feita por meio da
plataforma InvestSUS, e os atendimentos só começarão após aprovação da oferta e
organização da regulação local.
Somente operadoras com capacidade para
realizar mais de 100 mil atendimentos mensais poderão aderir ao programa. Em
casos excepcionais, operadoras menores — com mínimo de 50 mil atendimentos/mês
— também poderão participar, desde que atendam regiões com carência de
serviços.
A medida é uma forma de quitar dívidas
de ressarcimento ao SUS. Pela legislação, quando um beneficiário de plano de
saúde é atendido na rede pública, a operadora deve reembolsar os custos ao
Fundo Nacional de Saúde. No entanto, muitas não fazem o pagamento, gerando um
passivo bilionário.
Defato.com*

