sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Escândalo do Lixo em Porto do Mangue: contrato milionário, serviço precário e cheiro forte de favorecimento

 


Bastaram sete meses de gestão para que o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) batesse à porta da Prefeitura de Porto do Mangue, acendendo o sinal de alerta sobre o rumo que o prefeito Faustino vem tomando à frente do município. O motivo? Um contrato de R$ 200 mil por mês — isso mesmo, R$ 2,4 milhões por ano — para a coleta de lixo em uma cidade com apenas 5 mil habitantes.

E o que se tem em troca de tanto dinheiro público?

Caçambas sucateadas, ausência de caminhões compactadores e um serviço que beira o improviso. Enquanto isso, o cheiro da suspeita de favorecimento político exala por todos os cantos da cidade. A empresa contratada tem, segundo denúncias veiculadas pela 98 FM de Natal, ligações familiares com aliados do prefeito.

A conta não fecha. E nem deveria.

Um engenheiro consultado por esta reportagem afirmou que, com o valor que está sendo gasto mensalmente em Porto do Mangue, seria possível custear um serviço de coleta eficiente em uma cidade de até 25 mil habitantes. Estamos falando de cinco vezes a população real do município. Isso escancara uma possível superfaturação grotesca, disfarçada de “gestão eficiente”.

Mais grave ainda é o histórico. O contrato da gestão anterior era mais barato e com estrutura moderna. Ou seja, a atual administração aumentou o gasto em mais de R$ 30 mil mensais e rebaixou a qualidade do serviço. Pior por mais. E por que será?

O velho jogo da politicalha

As suspeitas não param no valor do contrato ou na ineficiência do serviço. O Ministério Público investiga se há conflito de interesses e quebra dos princípios constitucionais da administração pública, como impessoalidade, moralidade e economicidade. Em outras palavras, o caso pode envolver nepotismo cruzado, direcionamento de licitação e favorecimento de aliados, tudo com o dinheiro do povo.

Não é apenas um contrato caro. É uma afronta à inteligência da população. Um insulto à lógica administrativa. Um retrato de como pequenos municípios viram cabides de negócios para grupos políticos que tratam o orçamento público como se fosse extensão de suas fazendas.

A quem interessa o lixo milionário?

Resta a pergunta que ecoa nas ruas de Porto do Mangue: quem está lucrando com tanto lixo? Porque o povo, este segue no prejuízo, convivendo com uma cidade suja, contratos obscuros e uma gestão que, ao invés de transparência, oferece fumaça e barulho de caçamba velha.

A investigação está em curso, e cabe ao MPRN aprofundar os fatos. Mas desde já, a população precisa abrir os olhos e cobrar explicações, pois o lixo não é só o que está nas ruas — ele parece ter chegado ao gabinete.

A pergunta que não quer calar?

Onde tá os representantes da Casa Legislativa de Porto do Mangue que não fiscalizam?....