Bastaram sete meses de gestão para que
o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) batesse à porta da
Prefeitura de Porto do Mangue, acendendo o sinal de alerta sobre o rumo que o
prefeito Faustino vem tomando à frente do município. O motivo? Um contrato de
R$ 200 mil por mês — isso mesmo, R$ 2,4 milhões por ano — para a coleta
de lixo em uma cidade com apenas 5 mil habitantes.
E o que se tem em troca de tanto
dinheiro público?
Caçambas sucateadas, ausência de
caminhões compactadores e um serviço que beira o improviso. Enquanto isso, o
cheiro da suspeita de favorecimento político exala por todos os cantos da
cidade. A empresa contratada tem, segundo denúncias veiculadas pela 98 FM de
Natal, ligações familiares com aliados do prefeito.
A conta não fecha. E nem deveria.
Um engenheiro consultado por esta
reportagem afirmou que, com o valor que está sendo gasto mensalmente em Porto
do Mangue, seria possível custear um serviço de coleta eficiente em uma cidade
de até 25 mil habitantes. Estamos falando de cinco vezes a população
real do município. Isso escancara uma possível superfaturação grotesca,
disfarçada de “gestão eficiente”.
Mais grave ainda é o histórico. O
contrato da gestão anterior era mais barato e com estrutura moderna. Ou
seja, a atual administração aumentou o gasto em mais de R$ 30 mil mensais
e rebaixou a qualidade do serviço. Pior por mais. E por que será?
O velho jogo da politicalha
As suspeitas não param no valor do
contrato ou na ineficiência do serviço. O Ministério Público investiga se há conflito
de interesses e quebra dos princípios constitucionais da administração
pública, como impessoalidade, moralidade e economicidade. Em outras
palavras, o caso pode envolver nepotismo cruzado, direcionamento de
licitação e favorecimento de aliados, tudo com o dinheiro do povo.
Não é apenas um contrato caro. É uma
afronta à inteligência da população. Um insulto à lógica administrativa. Um
retrato de como pequenos municípios viram cabides de negócios para grupos
políticos que tratam o orçamento público como se fosse extensão de suas
fazendas.
A quem interessa o lixo milionário?
Resta a pergunta que ecoa nas ruas de
Porto do Mangue: quem está lucrando com tanto lixo? Porque o povo, este
segue no prejuízo, convivendo com uma cidade suja, contratos obscuros e uma
gestão que, ao invés de transparência, oferece fumaça e barulho de caçamba
velha.
A investigação está em curso, e cabe
ao MPRN aprofundar os fatos. Mas desde já, a população precisa abrir os olhos e
cobrar explicações, pois o lixo não é só o que está nas ruas — ele parece
ter chegado ao gabinete.
A pergunta que não quer calar?
Onde tá os representantes da Casa Legislativa de Porto do Mangue que não fiscalizam?....

