A prefeita de Parnamirim, Nilda Cruz
(SDD), expôs publicamente nesta quarta-feira (16) o que muitas mulheres na
política vivem em silêncio: perseguições diárias, intimidações, xingamentos e
difamações motivadas, em grande parte, pelo simples fato de serem mulheres. Em
entrevista à TV Ponta Negra, ela foi direta ao afirmar: “Eu penso: se fosse
um homem, esses ataques estariam acontecendo?”
Infelizmente, esse cenário não é isolado
Em Macau, por exemplo, a realidade não é diferente. A prefeita da
cidade enfrenta, diariamente, as mesmas pressões veladas e explícitas. No
entanto, opta pelo silêncio institucional, ao contrário de outras gestoras do
estado que já decidiram romper a barreira da omissão e denunciar publicamente
os abusos e perseguições que enfrentam — não por erros administrativos, mas por
ousarem ocupar um espaço historicamente negado às mulheres.
Esse comportamento misógino, que
persiste e se camufla em críticas aparentemente políticas, escancara o
preconceito estrutural contra mulheres em cargos de poder. Mulheres que não
podem errar, que são cobradas com mais rigor, e que, quando mostram pulso firme
ou voz ativa, são rotuladas como arrogantes ou incompetentes.
A pergunta que ecoa é: até quando? Até
quando a política potiguar vai continuar sendo um ambiente tóxico para mulheres
que ousam liderar?
Não se trata de blindar ninguém contra
críticas legítimas — toda gestão deve ser fiscalizada. Mas é preciso distinguir
cobrança justa de violência simbólica e institucional. Quando o ataque se dá
por gênero, temos um problema grave que ultrapassa a esfera política e atinge
os fundamentos da cidadania.
Ate quando?...


