quinta-feira, 17 de julho de 2025

Misoginia disfarçada de crítica: até quando as mulheres no poder vão pagar o preço do preconceito?...

 


A prefeita de Parnamirim, Nilda Cruz (SDD), expôs publicamente nesta quarta-feira (16) o que muitas mulheres na política vivem em silêncio: perseguições diárias, intimidações, xingamentos e difamações motivadas, em grande parte, pelo simples fato de serem mulheres. Em entrevista à TV Ponta Negra, ela foi direta ao afirmar: “Eu penso: se fosse um homem, esses ataques estariam acontecendo?”

Infelizmente, esse cenário não é isolado

Em Macau, por exemplo, a realidade não é diferente. A prefeita da cidade enfrenta, diariamente, as mesmas pressões veladas e explícitas. No entanto, opta pelo silêncio institucional, ao contrário de outras gestoras do estado que já decidiram romper a barreira da omissão e denunciar publicamente os abusos e perseguições que enfrentam — não por erros administrativos, mas por ousarem ocupar um espaço historicamente negado às mulheres.

Esse comportamento misógino, que persiste e se camufla em críticas aparentemente políticas, escancara o preconceito estrutural contra mulheres em cargos de poder. Mulheres que não podem errar, que são cobradas com mais rigor, e que, quando mostram pulso firme ou voz ativa, são rotuladas como arrogantes ou incompetentes.

A pergunta que ecoa é: até quando? Até quando a política potiguar vai continuar sendo um ambiente tóxico para mulheres que ousam liderar?

Não se trata de blindar ninguém contra críticas legítimas — toda gestão deve ser fiscalizada. Mas é preciso distinguir cobrança justa de violência simbólica e institucional. Quando o ataque se dá por gênero, temos um problema grave que ultrapassa a esfera política e atinge os fundamentos da cidadania.

Ate quando?...