Diante dos embates de ódio que tomam
conta de meios de comunicação e das redes sociais da cidade salineira, cada
qual com seu ponto de vista seja macauense ou não. Sempre lembro da frase
proferida por Osni Cavalcante que nunca deixa de ser atual.
Pois bem
Dizia o saudoso Osni Cavalcante que
"Macau é uma terra de muro baixo". A frase, curta e certeira, ecoa como
um provérbio popular, desses que carregam muito mais do que palavras, carrega
um sentimento de amor e cuidar dessa terra protegida por Nossa Senhora da Conceição.
Entenda
Macau, com seu sol de salina e maré de
saudade, sempre foi cidade aberta, dessas que não perguntam de onde você vem,
apenas perguntam o que você quer fazer. Quem chega, senta, toma um café e logo
já está metido no centro das discussões – isso acontece do rádio, palanque, as
esquinas do Bairro do Valadão – sobretudo, porque o Muro Baixo não barra
ninguém.
Mas
Não devemos esquecer que essa
facilidade de entrar também cobra seu preço. Porque em terra de muro baixo,
qualquer um pula, fala, grita, esperneia e joga o seu veneno. Onde alguns
querem mandar nesse quintal sem a devida aprovação da maioria do povo salineiro.
No entanto
Macau, gentil e sem cerimônia, acabou
virando espaço onde os de fora se assanham, querem tomar conta, questionar e
opinar, e, talvez, querer mudar o sotaque e esquecer quem fincou os primeiros
estaleiros da história dessa terra salineira. Essa narrativa do saudoso Osni que
trago nesse contexto não se refere apenas a recepção; se preocupa, principalmente,
com a desproteção com a propagação dessa cultura de ódio verbalizada na mesa do ranço que paira na cidade
nesse momento. E esta realidade, se não for vigiada, vai se dissolvendo feito
sal na maré cheia.
Por fim
Talvez o saudoso Osni tenha enxergado essa preocupação
antes de todo mundo. E, com sua verve afiada e alma de filho da terra, jogou a
frase como quem lança uma isca de reflexão. Muro baixo é metáfora e aviso. Não
se trata de levantar cercas ou fechar os portões, mas de saber quem entra e por
quê. Acolher sem se apagar. Porque Macau, com toda sua grandeza escondida entre
ruas estreitas, merece mais do que visitas, propagação de ódio e opiniões oportunistas
— Macau merece raízes, respeito, memória e reflexão.
A frase do saudoso Osni Cavalcante nunca foi tão presente na cidade das salinas...


