domingo, 4 de maio de 2025

PEC 12/2022 contra reeleição avança, mas senadores divergem

 


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) volta a debater, na quarta-feira (7), a proposta de emenda à Constituição que acaba com a possibilidade de reeleição para presidente, governador e prefeito. A PEC 12/2022 não foi votada na CCJ porque os senadores que compõem a comissão discordam sobre quando a medida passaria a valer.

O relatório do senador Marcelo Castro (MDB-PI) define um mandato de cinco anos para os cargos do Poder Executivo e Legislativo — exceto para senador, que será de 10 anos, mas o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), havia concedido vista coletiva na reunião do dia 23 de abril, para os senadores analisarem o texto alternativo proposto pelo relator.

Castro estipulou uma transição em que só a partir das eleições de 2034 as novas regras passam a valer para todos os cargos — para os prefeitos, 2028 será a última eleição com possibilidade de reeleição. Vários senadores consideraram o calendário longo. Em resposta, Castro sinalizou que poderá antecipar para 2030 o fim da reeleição.

“Podemos chegar a um acordo para em 2030 não ter mais reeleição. Quem foi eleito em 2030 será eleito para o mandato de quatro anos para coincidir em 2034, mas sem direito à reeleição. Eu acho que aqui poderia atender a expectativa e o anseio de todos”, sugeriu o relator..;

Caso seja aprovada na CCJ, a PEC será analisada no Plenário do Senado, onde precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um de dois turnos de votação.

O senador Rogério Marinho (PL-RN diz que “não é fácil tentar equacionar ao longo do tempo essa necessidade de parametrização das eleições e de adequação dos calendários. Nós temos eleições complexas, que acontecem a cada dois anos em níveis diferentes”.

Marinho defende o fim da reeleição já em 2026, com mandato de cinco anos, para 2031, mas o próprio relator Marcelo Castro acha que tem uma dificuldade, “que são os Senadores que foram eleitos em 2022.

 

Fim da reeleição avança com divergências


O relator Marcelo Castro rejeitou quatro emendas no parecer que deve ser votado dia 7, inclusive a proposta de Marinho, mas outras quatro emendas foram acrescentadas, totalizando oito que serão votadas na próxima reunião da CCJ.

“Todos nós somos favoráveis ao fim da reeleição, e procrastinar isso ao longo do tempo é aumentar o problema que nós já sabemos que existe. Alongar ao longo do tempo é dizer: “Ora, o que faz mal ao Brasil pode ser levado até 2034”, como se nós não tivéssemos urgência de pacificarmos e estabilizarmos o nosso processo eleitoral”, disse Rogério.

Marcelo Castro diz que “ninguém consegue mais governar, a não ser ficar preocupado com a próxima eleição. Hoje, [no primeiro ano de mandato] a gente tem que resolver os problemas de quem saiu, no segundo ano já está preocupado com a eleição de governador, no terceiro ano está preocupado com a sua própria reeleição, a medida irá reduzir custos e aumentar a previsibilidade do calendário eleitoral”.

“Estamos dando parecer à emenda de autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), pelo fim da reeleição de prefeito, governador e presidente da República, cargos executivos -, estabelecendo o mandato de cinco anos e, em 2034, mantendo a coincidência de todas as eleições no Brasil, eleições gerais e municipais”, decidiu Castro. 


Base potiguar:  Senador Styvenson, os deputados Benes e Joao Maia entendem assim;


Segundo Valentim, a praticidade está na economia de tempo, de espaço público, economia de órgãos públicos, de pessoas que são voluntárias, entre aspas, para participar da eleição, como meios policiais que são redimensionados para o interior para todo lugar para fazer a segurança de urnas”.

“E nem cheguei no fundo eleitoral, que se gasta de dois em dois anos do fundo bilionário e aquele horário de emissoras de TV, que tem de dois em dois anos campanha, e nunca foi gratuito, sempre foi pago”, apontou Styvenson Valentim.

O deputado federal João Maia (PP-RN) declarou que “é totalmente a favor de mandatos executivos de cinco anos, sem reeleição. Eu acho que a gente vive num estado permanente de eleição, sai de prefeito, entra de governador e presidente e assim por diante”.

Já o deputado Benes Leocádio (União) entende “ como positivo o término da reeleição para os executivos, tendo em vista que, quando eleitos, vão se preocupar em governar, tomar medidas que sabemos, às vezes, necessárias para o equilíbrio administrativo de qualquer gestão, seja na esfera municipal, estadual, federal, e a gente tem um resultado muito melhor para a coletividade”.