terça-feira, 5 de maio de 2026

Caicó começa a cobrar taxa do lixo na conta de água — e medida deve se espalhar pelo RN

 


A cidade de Caicó passou a cobrar, a partir de maio, a Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos (TMRS) diretamente na conta de água da Caern.

A mudança vale para faturas com leitura a partir de 2 de maio de 2026 e ocorre após o município se adequar ao novo Marco Legal do Saneamento, por meio da Lei Municipal nº 5.572/2024.

Na prática, o contribuinte passa a pagar pelo serviço de coleta de lixo de forma mais direta — agora vinculado ao consumo de água, e não mais embutido no IPTU.

A Prefeitura orienta que dúvidas sobre valores e cobranças sejam tratadas exclusivamente com a Secretaria Municipal de Planejamento e Tributação.

Mas o que está por trás dessa cobrança?

A taxa do lixo não é uma escolha isolada do município. Ela é uma exigência da Lei Federal nº 14.026/2020, que instituiu o novo marco do saneamento básico no país.

A regra é clara: os municípios precisam criar uma fonte própria para custear a coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos. Caso contrário, podem enfrentar restrições no acesso a recursos federais.

O efeito prático disso

Na ponta, quem paga a conta é o cidadão. A justificativa é manter o serviço funcionando sem comprometer outras áreas do orçamento público.

O valor da taxa pode variar conforme critérios, como: tamanho do imóvel, volume estimado de resíduos, custo do serviço no município.

E o que vem pela frente?

No estado potiguar apenas as cidades de Caicó e Marcelino Vieira já regulamentaram ou cobram o tributo. A maioria dos 167 municípios potiguares enfrenta pressão para implementar a taxa, sob risco de perder recursos federais, embora a implantação varie entre prefeituras.  A tendência é que outras cidades do Rio Grande do Norte sigam o mesmo caminho. A cobrança já deixou de ser exceção e começa a virar regra.

A discussão que fica é outra:
o serviço prestado vai acompanhar o aumento da cobrança?

Porque, mais do que pagar uma nova taxa, a população vai cobrar eficiência — e isso tende a pesar politicamente.