![]() |
| Ao visualizar esta imagem acima me dei conta que é uma prática comum em tempo de eleição. |
Basta abrir as redes sociais em
período eleitoral e lá está o roteiro repetido: político em feira, tomando café
em copo americano, abraçando todo mundo e dizendo que “é do povo”. A cena se
repete como novela reprisada — muda o nome, mas o enredo é sempre o mesmo.
Mas depois da eleição, o cenário muda
rápido. O mercado some da agenda. O café com o povo vira reunião fechada. O
contato direto dá lugar a assessores, portas fechadas e uma distância que
cresce na mesma velocidade da confiança que diminui.
A pergunta é simples: o povo serve só
para foto?
Porque, na prática, é isso que parece.
Durante a campanha, o político disputa quem pisa mais no chão da feira. Depois
de eleito, muitos evitam exatamente esse mesmo chão — como se o contato com
quem votou fosse um risco, não uma obrigação.
E aí entra o ciclo viciado: sai um,
entra outro, e o comportamento se repete. Sempre com a mesma promessa de “ser
diferente”, mas com o mesmo roteiro de afastamento assim que a faixa é colocada
no peito.
Claro, existem exceções. Mas são raras
o suficiente para não mudar a regra.
No fim das contas, o problema não é só
do político que se distancia — é de um sistema que permite isso acontecer sem
consequência. O eleitor cobra na urna, mas muitas vezes silencia durante o
mandato. E nesse silêncio, o distanciamento vira conforto.
Enquanto isso, o café com o povo segue
existindo… só que agora, apenas em época de eleição.


