A indústria do sal no Rio Grande do
Norte segue como uma das maiores forças econômicas do estado, movimentando
cifras bilionárias e garantindo liderança nacional na produção. No entanto, por
trás dos números robustos, a realidade dos trabalhadores salineiros expõe um
cenário de desigualdade que levanta questionamentos.
Entenda
De acordo com o Sindicato das
Indústrias de Extração de Sal do RN (Siesal-RN), são cerca de 6 milhões de
toneladas produzidas anualmente, gerando uma movimentação de aproximadamente R$
1,5 bilhão na economia potiguar. A atividade também assegura uma arrecadação
expressiva de cerca de R$ 175 milhões em ICMS por ano.
Além disso
O setor gera cerca de 5 mil empregos
diretos, podendo alcançar outros 5 mil postos indiretos em áreas como
transporte e logística. Municípios como Macau e Mossoró concentram grande parte
dessa produção, sendo protagonistas de um setor altamente mecanizado e
estratégico.
Empresas como a Salinor operam em
larga escala, com capacidade de produção que chega a quase metade de todo o sal
produzido no estado. Os números impressionam e reforçam a importância econômica
da atividade.
Mas é justamente nesse ponto que surge
o contraste.
Enquanto a indústria movimenta bilhões
e amplia sua capacidade produtiva, os trabalhadores enfrentam dificuldades para
conquistar avanços básicos. Em negociações recentes, a proposta apresentada ao
setor incluiu um reajuste de apenas R$ 21 na cesta básica e aumento salarial de
3,9% — índice inferior ao reajuste do salário mínimo nacional, fixado em 7,44%.
A disparidade entre arrecadação e
valorização da mão de obra evidencia um desequilíbrio: o crescimento econômico
do setor não tem sido acompanhado por melhorias proporcionais nas condições dos
trabalhadores.
Macau
O sal que impulsiona a economia do
estado continua sendo produzido diariamente sob o sol forte da Costa Branca,
principalmente com a grande produção na cidade de Macau. Mas, para quem está na linha de frente dessa
atividade, a sensação é de que o reconhecimento ainda não acompanha a riqueza
gerada.
No papel, o setor é sinônimo de
progresso. Na prática, ainda há um longo caminho para que esse avanço chegue de
forma mais justa a quem sustenta essa produção.


