sábado, 25 de abril de 2026

Macau: Bilhões do sal no RN contrastam com baixos reajustes aos trabalhadores salineiros

 


A indústria do sal no Rio Grande do Norte segue como uma das maiores forças econômicas do estado, movimentando cifras bilionárias e garantindo liderança nacional na produção. No entanto, por trás dos números robustos, a realidade dos trabalhadores salineiros expõe um cenário de desigualdade que levanta questionamentos.

Entenda

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do RN (Siesal-RN), são cerca de 6 milhões de toneladas produzidas anualmente, gerando uma movimentação de aproximadamente R$ 1,5 bilhão na economia potiguar. A atividade também assegura uma arrecadação expressiva de cerca de R$ 175 milhões em ICMS por ano.

Além disso

O setor gera cerca de 5 mil empregos diretos, podendo alcançar outros 5 mil postos indiretos em áreas como transporte e logística. Municípios como Macau e Mossoró concentram grande parte dessa produção, sendo protagonistas de um setor altamente mecanizado e estratégico.

Empresas como a Salinor operam em larga escala, com capacidade de produção que chega a quase metade de todo o sal produzido no estado. Os números impressionam e reforçam a importância econômica da atividade.

Mas é justamente nesse ponto que surge o contraste.

Enquanto a indústria movimenta bilhões e amplia sua capacidade produtiva, os trabalhadores enfrentam dificuldades para conquistar avanços básicos. Em negociações recentes, a proposta apresentada ao setor incluiu um reajuste de apenas R$ 21 na cesta básica e aumento salarial de 3,9% — índice inferior ao reajuste do salário mínimo nacional, fixado em 7,44%.

A disparidade entre arrecadação e valorização da mão de obra evidencia um desequilíbrio: o crescimento econômico do setor não tem sido acompanhado por melhorias proporcionais nas condições dos trabalhadores.

 Macau

O sal que impulsiona a economia do estado continua sendo produzido diariamente sob o sol forte da Costa Branca, principalmente com a grande produção na cidade de Macau. Mas, para quem está na linha de frente dessa atividade, a sensação é de que o reconhecimento ainda não acompanha a riqueza gerada.

No papel, o setor é sinônimo de progresso. Na prática, ainda há um longo caminho para que esse avanço chegue de forma mais justa a quem sustenta essa produção.