No quiproquó que envolveu a deputada Carla
Dickson e a vereadora Nina de Sousa chama atenção porque expõe um problema que
vai além de uma fala mal colocada ou de um pedido de desculpas: revela uma
prática antiga e persistente — a instrumentalização da máquina pública para
fins políticos.
No caso envolvendo Carla Dickson e Nina
Souza, o recuo no discurso não apaga o ponto central. Ao contrário, reforça a
percepção de que há um limite tênue — e frequentemente ultrapassado — entre
gestão pública e articulação eleitoral.
No Nordeste, e de forma bastante
visível no Rio Grande do Norte
Esse tipo de prática ganha contornos
mais evidentes por fatores estruturais: forte dependência da população em
relação ao poder público, redes políticas consolidadas e uma cultura histórica
de personalização do poder. Isso cria um ambiente onde a máquina administrativa,
mesmo sem violar explicitamente a lei, pode ser usada como ferramenta de
influência política.
O problema não é apenas jurídico — é ético
e democrático.
Quando a estrutura pública passa a
servir, ainda que indiretamente, a interesses eleitorais, o princípio da
igualdade de condições entre candidatos fica comprometido. Quem está dentro ou
próximo do poder larga na frente, enquanto os demais disputam em desvantagem.
Portanto
A retratação da deputada ameniza o
desgaste imediato, mas não resolve o cerne da questão. Pelo contrário:
evidencia como o tema é sensível e, ao mesmo tempo, naturalizado. E é
justamente essa naturalização que sustenta o problema — porque transforma o que
deveria ser exceção em prática tolerada.
No fim, o episódio não é sobre um erro
isolado de fala. É sobre um modelo político que ainda confunde gestão
pública com projeto de poder — e que segue sendo pouco enfrentado com a
seriedade que exige.
Moral da História
Ninguém, ninguém usou
os meios de comunicação para dizer que o contexto externado pela deputada Carla
Dickson não se trata da verdadedos fatos.
Nem muito menos a vereadora Nina, que
usou a tribuna da CM de Natal para dizer que; “Acusar que a prefeitura está
usando a máquina para me beneficiar é negar a minha história de vida, minha
força de trabalho e minha legitimidade… e eu não vou permitir.”


