terça-feira, 14 de abril de 2026

Entre a festa e a responsabilidade: o novo freio nos gastos públicos no RN garante festa com responsabildiade fiscal

 


As recentes normativas e orientações do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte já começam a produzir efeitos concretos na forma como os municípios potiguares organizam seus eventos tradicionais. E o caso mais recente vem de Santa Cruz, que oficializou a contratação de atrações para a tradicional Festa de Maio 2026.

Publicado no Diário Oficial dos Municípios nesta terça-feira (14)

O extrato de inexigibilidade de licitação confirma um investimento de R$ 1.070.000,00 na contratação de artistas consagrados, como Banda Grafith, Toca do Vale, Brasas do Forró e Seu Desejo. A autorização foi fundamentada na Lei nº 14.133/2021, que permite esse tipo de contratação quando há inviabilidade de competição — caso típico do setor artístico.

O ponto central, no entanto, não está apenas no valor investido, mas no contexto em que essa decisão acontece. Nos últimos anos, o TCE tem intensificado a fiscalização sobre gastos públicos com festas, exigindo dos gestores algo que antes nem sempre era prioridade: planejamento, justificativa técnica e responsabilidade fiscal.

E é justamente aí que está a mudança de chave.

A realização de eventos culturais nunca foi proibida. Pelo contrário, eles são parte fundamental da identidade dos municípios e também movimentam a economia local. O que mudou foi o nível de exigência. Hoje, não basta contratar atrações e realizar o evento — é preciso demonstrar que o investimento faz sentido dentro da realidade financeira do município e que não compromete áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.

O caso de Santa Cruz indica que é possível, sim, equilibrar tradição e responsabilidade. A utilização da base legal adequada e a formalização transparente do processo mostram um caminho que outros municípios tendem a seguir.