segunda-feira, 2 de março de 2026

PT do RN enfrenta funil eleitoral e possível risco de racha interno rumo a 2026

 


Pelo andar da carruagem, o PT do Rio Grande do Norte entrou naquele estágio clássico da política: quando o discurso é de unidade, mas os bastidores fervem.

O partido já enfrenta o debate e os questionamentos natural de oito anos de governo sob a liderança da governadora Fátima Bezerra, sobretudo quando  a sucessão estadual de 2026 ainda é uma equação longe de estar fechada. Como se não bastasse esse cenário de incerteza, agora surge um problema interno que é menos ideológico e mais matemático — e, como todos sabem, matemática na política, costuma ser implacável.

Com as regras das federações partidárias — no caso, a composição entre Partido dos Trabalhadores, Partido Verde e Partido Comunista do Brasil — a projeção é de nove candidaturas à Câmara Federal. Dessas, cinco ficariam com o PT. Parece confortável? Só parece.

O problema é que o partido tem mais nomes do que cadeiras na mesa. E nomes de peso.

De um lado, estão os deputados Natália Bonavides e Fernando Mineiro, ambos com direito estatutário à reeleição. Ou seja: não são peças descartáveis no tabuleiro. Restariam, portanto, apenas três vagas para acomodar outras cinco pretensões: Alexandre, Marleide Cunha, Samanda Alves, Odon Júnior e Brisa Bracchi.

É aqui que o “funil” aperta.

Não se trata apenas de vontade política, mas de regra eleitoral. A legislação exige o cumprimento da cota mínima de 30% para candidaturas de um gênero diferente da maioria. Em uma lista de cinco nomes, pelo menos dois precisam ser de um mesmo gênero. E, nesse grupo, há forte presença feminina com densidade eleitoral real. Traduzindo: não dá para resolver no grito, nem na canetada simples.

O que está em jogo não é apenas espaço na chapa. É sobrevivência política, projeção futura e disputa interna por protagonismo dentro do próprio partido. E quando a briga é dentro de casa, costuma ser mais dura do que a enfrentada com adversários externos.

O PT potiguar, que sempre se orgulhou de sua organização interna e do debate democrático, agora terá que provar que consegue administrar a própria superlotação sem sair rachado. Porque, se errar na dose, pode transformar um problema de excesso de nomes em falta de votos lá na frente.

E em 2026, quem não souber fazer conta agora, pode pagar a fatura nas urnas depois.