Pelo andar da carruagem, o PT do Rio
Grande do Norte entrou naquele estágio clássico da política: quando o discurso
é de unidade, mas os bastidores fervem.
O partido já enfrenta o debate e os
questionamentos natural de oito anos de governo sob a liderança da governadora Fátima
Bezerra, sobretudo quando a sucessão
estadual de 2026 ainda é uma equação longe de estar fechada. Como se não
bastasse esse cenário de incerteza, agora surge um problema interno que é menos
ideológico e mais matemático — e, como todos sabem, matemática na política,
costuma ser implacável.
Com as regras das federações
partidárias — no caso, a composição entre Partido dos Trabalhadores, Partido
Verde e Partido Comunista do Brasil — a projeção é de nove candidaturas à
Câmara Federal. Dessas, cinco ficariam com o PT. Parece confortável? Só parece.
O problema é que o partido tem mais
nomes do que cadeiras na mesa. E nomes de peso.
De um lado, estão os deputados Natália
Bonavides e Fernando Mineiro, ambos com direito estatutário à reeleição. Ou
seja: não são peças descartáveis no tabuleiro. Restariam, portanto, apenas três
vagas para acomodar outras cinco pretensões: Alexandre, Marleide Cunha, Samanda
Alves, Odon Júnior e Brisa Bracchi.
É aqui que o “funil” aperta.
Não se trata apenas de vontade
política, mas de regra eleitoral. A legislação exige o cumprimento da cota
mínima de 30% para candidaturas de um gênero diferente da maioria. Em uma lista
de cinco nomes, pelo menos dois precisam ser de um mesmo gênero. E, nesse
grupo, há forte presença feminina com densidade eleitoral real. Traduzindo: não
dá para resolver no grito, nem na canetada simples.
O que está em jogo não é apenas espaço
na chapa. É sobrevivência política, projeção futura e disputa interna por
protagonismo dentro do próprio partido. E quando a briga é dentro de casa,
costuma ser mais dura do que a enfrentada com adversários externos.
O PT potiguar, que sempre se orgulhou
de sua organização interna e do debate democrático, agora terá que provar que
consegue administrar a própria superlotação sem sair rachado. Porque, se errar
na dose, pode transformar um problema de excesso de nomes em falta de votos lá
na frente.
E em 2026, quem não souber fazer conta
agora, pode pagar a fatura nas urnas depois.


