Nos bastidores da política do Rio
Grande do Norte, quando parece que nada mais surpreende, sempre surge um novo
capítulo digno de roteiro bem ensaiado. Desta vez, o enredo gira em torno das
famosas “cartas de anuência”, aquelas que, em tese, permitiriam que vereadores
deixassem seus partidos sem maiores traumas jurídicos.
O burburinho ganhou força nos últimos
dias, como costuma acontecer quando o calendário político começa a apertar e as
articulações passam a acontecer mais nos corredores do que nos plenários. Em
meio ao disse-me-disse típico desse ambiente, o União Brasil resolveu colocar
os pingos nos “is”.
Em nota oficial divulgada nesta
segunda-feira (10), assinada pelo presidente nacional da sigla, Antonio Rueda,
e pelo presidente estadual no RN, José Agripino Maia, o partido tratou de
esclarecer que não houve — e nem haverá — concessão de cartas de anuência para
mandatários no estado.
Segundo o comunicado, o estatuto da
legenda é bastante claro: a autorização para que um mandatário deixe o partido
não nasce da vontade isolada de uma liderança ou de um acordo de bastidor. Para
existir, precisa passar por decisão colegiada da Comissão Executiva — nacional
ou estadual — com aprovação mínima de três quintos dos membros. Ou seja, não é
algo que se resolve com um telefonema ou um aperto de mão em gabinete.
Na prática, a nota joga um balde de
água fria em muitas especulações que vinham circulando na imprensa e nos
bastidores da política potiguar. E, como de costume, quando a realidade formal
aparece, ela desmonta algumas narrativas que já estavam sendo tratadas quase
como fato consumado.
O curioso é observar como, na política
do RN, certos movimentos surgem envoltos em um barulho enorme, mas quando se
vai conferir as regras do jogo, percebe-se que o tabuleiro é um pouco mais
rígido do que alguns imaginavam.
No fim das contas, fica a impressão de
que, enquanto uns ensaiam trocas de camisa partidária como quem muda de bloco
no carnaval, os partidos tentam lembrar que ainda existe estatuto, regra e,
pelo menos no papel, algum tipo de disciplina política.
Mas como bem sabem os observadores
mais atentos da política potiguar: quando o assunto é bastidor, o silêncio
muitas vezes diz mais do que qualquer nota oficial — e o próximo capítulo nunca
demora a aparecer.


