terça-feira, 10 de março de 2026

Muito barulho e pouca anuência: a nova novela da política do RN

 


Nos bastidores da política do Rio Grande do Norte, quando parece que nada mais surpreende, sempre surge um novo capítulo digno de roteiro bem ensaiado. Desta vez, o enredo gira em torno das famosas “cartas de anuência”, aquelas que, em tese, permitiriam que vereadores deixassem seus partidos sem maiores traumas jurídicos.

O burburinho ganhou força nos últimos dias, como costuma acontecer quando o calendário político começa a apertar e as articulações passam a acontecer mais nos corredores do que nos plenários. Em meio ao disse-me-disse típico desse ambiente, o União Brasil resolveu colocar os pingos nos “is”.

Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (10), assinada pelo presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, e pelo presidente estadual no RN, José Agripino Maia, o partido tratou de esclarecer que não houve — e nem haverá — concessão de cartas de anuência para mandatários no estado.

Segundo o comunicado, o estatuto da legenda é bastante claro: a autorização para que um mandatário deixe o partido não nasce da vontade isolada de uma liderança ou de um acordo de bastidor. Para existir, precisa passar por decisão colegiada da Comissão Executiva — nacional ou estadual — com aprovação mínima de três quintos dos membros. Ou seja, não é algo que se resolve com um telefonema ou um aperto de mão em gabinete.

Na prática, a nota joga um balde de água fria em muitas especulações que vinham circulando na imprensa e nos bastidores da política potiguar. E, como de costume, quando a realidade formal aparece, ela desmonta algumas narrativas que já estavam sendo tratadas quase como fato consumado.

O curioso é observar como, na política do RN, certos movimentos surgem envoltos em um barulho enorme, mas quando se vai conferir as regras do jogo, percebe-se que o tabuleiro é um pouco mais rígido do que alguns imaginavam.

No fim das contas, fica a impressão de que, enquanto uns ensaiam trocas de camisa partidária como quem muda de bloco no carnaval, os partidos tentam lembrar que ainda existe estatuto, regra e, pelo menos no papel, algum tipo de disciplina política.

Mas como bem sabem os observadores mais atentos da política potiguar: quando o assunto é bastidor, o silêncio muitas vezes diz mais do que qualquer nota oficial — e o próximo capítulo nunca demora a aparecer.