Uma realidade que se repete em
diversos municípios do Brasil voltou a ganhar força nas redes sociais e expôs,
mais uma vez, a ausência do poder público diante de situações que deveriam ser
tratadas como prioridade social.
Entenda
A maranhense Mariana Ferreira,
moradora de Bacabal, no Maranhão, viralizou após publicar um vídeo relatando as
dificuldades que enfrenta como mãe solo de uma criança com Autismo.
No desabafo, Mariana expôs a rotina
pesada, marcada por desafios emocionais e financeiros, além da luta diária para
garantir o cuidado e a dignidade do filho praticamente sem apoio institucional.
Repercussão
O relato rapidamente ganhou
repercussão nas redes sociais. O perfil da mãe no Instagram cresceu de forma
impressionante e, em poucos dias, ultrapassou a marca de 900 mil seguidores.
Comovidos com a história, internautas
de várias partes do país iniciaram uma verdadeira corrente de solidariedade.
Entre as ajudas recebidas estão um celular novo, móveis para a casa,
eletrodomésticos e até uma motocicleta, que deve ajudar na locomoção da
família.
O ponto central da discussão
Embora a mobilização popular demonstre
sensibilidade e solidariedade da sociedade, o caso levanta um questionamento
inevitável: por que situações como essa dependem da boa vontade do povo para
serem amenizadas?
Histórias como a de Mariana não são
exceção. Elas refletem a realidade de milhares de mães atípicas espalhadas pelo
Brasil, que enfrentam diariamente a falta de suporte efetivo dos entes
federativos — municípios, estados e União.
Faltam políticas públicas contínuas,
acesso facilitado a terapias, acompanhamento multidisciplinar, suporte
financeiro e uma rede de assistência social capaz de garantir dignidade a essas
famílias.
Enquanto isso
O que deveria ser política pública
acaba sendo substituído por campanhas espontâneas nas redes sociais. A
solidariedade popular, embora louvável, não pode se tornar regra para suprir
uma obrigação que é, antes de tudo, do Estado.
No fim das contas, casos como o de Mariana revelam um retrato incômodo: quando a assistência social falha, quem ocupa esse espaço é o povo — enquanto o poder público, muitas vezes, permanece ausente.
A vezes esta situaça esta acontecendo bem pertinho de voce, mas voce na enxerga. Alias , se enxerga, faz questão de não ver.


