quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Enfim, a política potiguar reafirma um velho ensinamento: aparência não é garantia de lealdade

 

Prefeita Marianna assume voto para Fatima Bezerra, mas pretende seguir projeto de  Alysson

Durante muito tempo, a gestora foi identificada como aliada fiel do governo estadual, com declarações públicas de sintonia e alinhamento. De repente, surge o anúncio de apoio a um pré-candidato que faz oposição direta ao campo governista. E tudo é apresentado como “transparente”, “dialogado” e “de conhecimento prévio”.

Se era tão claro e tão aberto, por que integrantes do próprio grupo afirmam ter sido pegos de surpresa? Se havia construção coletiva, por que a sensação de rompimento? A política admite mudanças de rumo — isso faz parte do jogo. O que causa estranheza é a tentativa de transformar um movimento estratégico em ato de plena coerência.

Ao dizer que se sentiu lisonjeada por ter o nome cogitado para compor outra chapa, mas que nada foi oficializado, a prefeita parece manter um pé em cada margem do rio. Apoia um pré-candidato ao governo, declara voto em nomes do governismo para o Senado e afirma que seu compromisso é exclusivamente com o município.

A pergunta que fica é simples: há convicção política ou apenas cálculo eleitoral?

No discurso, tudo é feito em nome de Pau dos Ferros. Mas, na prática, o gesto reposiciona a prefeita no cenário estadual e redefine seu lugar no jogo de 2026. E quando as decisões mudam com tanta rapidez, o eleitor tem o direito de questionar: trata-se de coerência estratégica ou de conveniência política?

Porque, no fim das contas, na política potiguar, muitas vezes quem vê gestos de lealdade não enxerga os movimentos que acontecem por trás deles.