segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Walter Alves comunica oficialmente que vai renunciar cargo de Vice-Governador; entenda quiproquó dessa decisão

 


O que se instalou na cena política do Rio Grande do Norte nos últimos meses não foi apenas um rearranjo partidário natural de véspera eleitoral, mas um verdadeiro quiproquó político, marcado por discursos contraditórios, alianças improváveis e decisões que mais confundem do que esclarecem o eleitor.

O MDB potiguar é hoje o retrato mais evidente dessa confusão. Ao mesmo tempo em que reafirma apoio à reeleição do presidente Lula, o partido se afasta do projeto estadual do PT, abandona a sucessão governista e busca abrigo em alianças com forças que, até ontem, faziam oposição dura ao próprio lulismo no estado. O resultado é um discurso dúbio, difícil de sustentar publicamente sem explicações mais convincentes.

A decisão do vice-governador Walter Alves de não assumir o Governo em eventual renúncia de Fátima Bezerra aprofunda esse cenário de instabilidade. Não se trata de um gesto administrativo ou institucional, mas de uma escolha política clara: ninguém quer herdar o desgaste de um governo fragilizado, com dificuldades fiscais, críticas na área da segurança, da infraestrutura e da gestão como um todo. Ao abrir mão da caneta, Walter admite, ainda que de forma indireta, o esgotamento do atual ciclo político no RN.

Mais confuso ainda é o movimento de rebaixamento estratégico de lideranças que deveriam disputar espaços majoritários, mas optam por candidaturas menores como forma de autopreservação. Quando um vice-governador se contenta em disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, o recado é claro: o risco político hoje é maior que a ambição de poder.

Enquanto isso, o eleitor assiste a um jogo de empurra, onde ninguém quer assumir responsabilidades, mas todos querem espaço no palanque. As decisões são tomadas em gabinetes, justificadas por “consultas internas”, mas raramente acompanhadas de um debate transparente com a sociedade.

O resultado desse quiproquó é um ambiente político desorientado, em que alianças se formam não por projetos de estado, mas por cálculos de sobrevivência eleitoral. O Rio Grande do Norte entra em 2026 sem um eixo claro, com partidos tentando se descolar de governos impopulares, mas sem coragem de assumir oposição aberta.

No fim das contas, quem paga a conta dessa confusão é o eleitor, mais uma vez convocado a decifrar discursos contraditórios e alianças sem coerência. A política potiguar vive hoje não uma crise de nomes, mas uma crise de rumo — e isso, sim, deveria preocupar.