A Operação Mederi mostrou-se
necessária por defender diretamente o cidadão que depende dos medicamentos
fornecidos pelo SUS. Um dos casos mais graves envolve o município de Serra do
Mel (RN), onde a Polícia Federal identificou o recebimento de medicamentos com
validade extremamente curta, incluindo um lote de mil unidades de metoprolol
100 mg com apenas um dia para vencer, o que resultou na perda total do
material.
Decisão do desembargador Rogério
Fialho Moreira (TRF-5) autorizou 35 mandados de busca e apreensão, cumpridos no
dia 27. Auditoria da CGU também apontou o recebimento de outros medicamentos
com validade entre 30 e 60 dias, além de quantidades incompatíveis com o
histórico de consumo da rede municipal. Mais de 1,1 mil unidades de prednisona
foram descartadas por vencimento, apesar de o consumo mensal máximo nunca ter
ultrapassado 78 unidades.
As investigações indicam ainda que parte
dos medicamentos pagos não foi entregue, houve compras acima da demanda, pagamento
por produtos com validade residual inadequada e sobrepreço em um único pregão.
Em uma nota fiscal de R$ 89.170,00, a CGU identificou R$ 52.312,58 em itens não
entregues, caracterizando superfaturamento de 58,67%.
Desde 2016, a Prefeitura de Serra do
Mel teria pago R$ 4,08 milhões à empresa Dismed e R$ 1,44 milhão a outra
empresa investigada. Em nota, a defesa da Dismed e do empresário Oseas
Monthalgann Fernandes Costa negou irregularidades.



