terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Quitação de precatório histórico expõe passivo herdado e impõe novo padrão de responsabilidade fiscal em Macau

 

Desde que assumiu a gestão administrativa, em 2025, a Prefeitura de Macau passou a enfrentar um cenário fiscal marcado por passivos acumulados, desorganização financeira e obrigações judiciais ignoradas ao longo de décadas. Entre os problemas mais sensíveis estavam os atrasos no pagamento de precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs), situação que comprometia não apenas o equilíbrio das contas públicas, mas também a credibilidade institucional do município.

A atual administração, em conjunto com a Procuradoria-Geral do Município, optou por enfrentar o problema de forma técnica e direta. O exemplo mais emblemático foi a quitação de um precatório originado de uma ação judicial iniciada há mais de 30 anos, cujo débito, estimado em cerca de R$ 800 mil, bloqueava o avanço da ordem cronológica de pagamentos. Na prática, um único passivo vinha impedindo que dezenas de outros credores tivessem seus direitos reconhecidos na forma da lei.

A liquidação desse débito não deve ser analisada apenas como um ato administrativo isolado, mas como a correção de uma distorção histórica. O atraso prolongado revela falhas graves de planejamento, omissão de gestões anteriores e desrespeito sistemático a decisões judiciais transitadas em julgado. Ao “empurrar” o problema por décadas, o município ampliou o custo financeiro e institucional da dívida.

Com o destravamento da lista de precatórios, a Prefeitura passa a cumprir o que determina a Constituição, restabelecendo a ordem legal e permitindo que outros credores — muitos deles aguardando há anos — tenham acesso a valores que já lhes pertencem por direito. A reação positiva de advogados e credores evidencia o grau de paralisia que marcava o sistema de pagamentos.

Segundo a procuradora-geral do Município, Dra. Flávia Monique da Silva Veras, a medida reflete uma atuação planejada e responsável. “Com responsabilidade fiscal e atuação jurídica qualificada, a gestão municipal reafirma seu compromisso com o respeito aos credores, a legalidade e a boa governança dos recursos públicos. É um trabalho permanente, voltado ao interesse público”, afirmou.

Mais do que um avanço jurídico, a quitação do precatório histórico estabelece um divisor de águas na condução fiscal de Macau. O gesto sinaliza uma mudança de postura: enfrentar passivos, reconhecer erros do passado e priorizar a legalidade, mesmo quando isso exige decisões impopulares ou financeiramente onerosas. Em um cenário onde muitos municípios optam por postergar problemas, a iniciativa impõe um novo parâmetro de responsabilidade administrativa e transparência.