quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
MP expõe esquema milionário de sonegação e escancara fragilidade na fiscalização do RN
O Ministério Público do Rio Grande do
Norte denunciou oito pessoas envolvidas em um esquema estruturado e duradouro
de sonegação fiscal que causou um rombo superior a R$ 1,5 milhão em ICMS aos
cofres do Estado. O caso, revelado a partir da Operação Fechamento, joga luz
sobre um modelo de fraude que se manteve ativo por quase duas décadas sem ser
interrompido de forma eficaz.
Segundo a denúncia
O grupo atuava de maneira organizada
no comércio de calçados e acessórios em Natal e Parnamirim, inclusive em
grandes shoppings da capital, utilizando sucessão empresarial fraudulenta como
estratégia para driblar o Fisco. Empresas eram abandonadas com dívidas
milionárias, enquanto novas pessoas jurídicas eram abertas em nome de
“laranjas”, garantindo a continuidade do negócio e a blindagem do patrimônio
dos verdadeiros gestores.
A investigação aponta que, entre 2008
e 2025, o esquema funcionou com divisão clara de tarefas: um núcleo de comando,
familiares e funcionários usados como sócios de fachada e um setor contábil que
não apenas executava, mas também sugeria estratégias para evitar bloqueios
judiciais e penhoras. Não se trata de erro administrativo ou inadimplência
ocasional, mas de um planejamento sistemático para não pagar impostos.
Durante a deflagração da operação
A Secretaria Estadual da Fazenda
encontrou mercadorias sem nota fiscal avaliadas em mais de R$ 146 mil, além da
utilização de máquinas de cartão de crédito fora da escrituração fiscal,
mecanismo clássico de omissão de receitas. As provas incluem diálogos extraídos
de celulares, nos quais os investigados admitem a sonegação e discutem formas
de proteger bens contra decisões da Justiça.
O caso evidencia um problema maior:
enquanto pequenos comerciantes são cobrados com rigor, esquemas sofisticados
conseguem operar por anos à margem da lei, acumulando prejuízos milionários ao
erário. O resultado é um Estado que perde arrecadação, compromete serviços
públicos e penaliza o contribuinte que cumpre suas obrigações.
A denúncia do MP é um passo
importante, mas tardio.
O episódio levanta questionamentos
inevitáveis sobre a efetividade da fiscalização tributária e o tempo necessário
para que práticas criminosas desse porte sejam interrompidas. O combate à
sonegação não pode ser seletivo nem episódico — precisa ser contínuo,
transparente e atingir quem, deliberadamente, trata o imposto como algo
opcional.

