sábado, 31 de janeiro de 2026

Liberdade de expressão tem limites e o preconceito não pode ser naturalizado; ação do PT abre precedentes no RN

 

Uma realidade comum no interior do Rio Grande do Norte — e que se repete com frequência na cidade salineira de Macau — é a permissividade diante de agressões verbais travestidas de opinião. Em muitos casos, o preconceito acaba predominando na informação repassada à população, com o único objetivo de desqualificar, humilhar e incitar o ódio, ultrapassando qualquer limite aceitável do debate público.

Exemplo



Nesta quinta-feira (29), a presidente estadual do Partido dos Trabalhadores no RN e vereadora de Natal, Samanda Alves, registrou um Boletim de Ocorrência solicitando a apuração de manifestações consideradas discriminatórias, homofóbicas e ofensivas contra a governadora Fátima Bezerra.

As declarações teriam sido feitas por um radialista durante um programa veiculado no dia 28 de janeiro, na rádio 87,7 FM, no município de Parnamirim, na Grande Natal.

De acordo com o registro, Samanda Alves afirma que as falas extrapolam a crítica política e configuram conduta grave, ao atingir não apenas a honra pessoal da governadora, mas também a coletividade. Segundo a parlamentar, o conteúdo reforça práticas discriminatórias, estimula o discurso de ódio e afronta a legislação brasileira.

O caso se torna ainda mais sensível por envolver um veículo de comunicação que opera por concessão pública, o que impõe responsabilidades legais e sociais, incluindo o respeito aos princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e o combate a qualquer forma de discriminação. O fato de o conteúdo permanecer disponível em plataformas digitais amplia o alcance das declarações e perpetua o dano coletivo.

“Liberdade de expressão não é licença para LGBTfobia. Ódio e ranço político não são opinião”, afirmou Samanda Alves. Para ela, as falas possuem caráter manifestamente homofóbico e preconceituoso, com o claro objetivo de desqualificar, humilhar e incitar o ódio.

X da questão

O episódio reacende um debate necessário: crítica política é legítima e indispensável à democracia, mas não pode servir de escudo para práticas discriminatórias. Quando o discurso ultrapassa os limites legais e constitucionais, cabe responsabilização.

No caso que envolve a governadora Fátima Bezerra, a iniciativa da presidente estadual do PT busca assegurar que o debate público não seja contaminado pelo preconceito e que a liberdade de expressão não seja confundida com autorização para a intolerância.