sábado, 27 de dezembro de 2025

Inversão de prioridades: Serra do Mel gasta milhões em festas enquanto população fica sem Raio-X na saúde pública

 


Quando se critica gestores que priorizam festas em detrimento do bem-estar da população, Serra do Mel se apresenta como um exemplo concreto dessa inversão de prioridades.

O município, com pouco mais de 13 mil habitantes, vive um contraste difícil de justificar. Enquanto a população passou mais de um ano sem acesso a um aparelho de Raio-X na rede pública de saúde, a Prefeitura destinou milhões de reais para a realização de eventos festivos. Não se trata de um detalhe administrativo, mas de uma falha grave na garantia de um serviço básico.

A denúncia partiu do vereador Aécio Araújo, que expôs uma realidade preocupante: pacientes sendo obrigados a se deslocar para cidades vizinhas, como Mossoró, para realizar exames simples de imagem. Isso significa atraso em diagnósticos, comprometimento de tratamentos e, em muitos casos, sofrimento desnecessário para quem depende exclusivamente do SUS. Em saúde pública, tempo é fator decisivo — e a ausência de um equipamento essencial cobra um preço alto da população.

Em paralelo, os números oficiais revelam outra face da gestão. Dados do Painel Festejos, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN), indicam que a Prefeitura de Serra do Mel já gastou R$ 4.391.050,00 com festas. O valor, por si só, não seria problema se áreas essenciais estivessem funcionando de forma adequada. O questionamento central é a prioridade: como justificar milhões em eventos enquanto falta um Raio-X para atender a população?

A situação ganhou ainda mais repercussão durante a tradicional Festa do Caju, quando uma advogada de Mossoró foi agredida por policiais militares que faziam a segurança do evento. O caso resultou no afastamento de 10 policiais por determinação do comando da PM, ampliando o debate sobre planejamento, segurança e responsabilidade na realização desses festejos.

Não se defende aqui o fim da cultura, do lazer ou das festas populares. Elas têm seu papel social e econômico. O que se questiona é a lógica administrativa que coloca shows e eventos à frente da saúde. Em qualquer gestão pública minimamente responsável, a saúde deveria ser o primeiro ponto da pauta, não um item secundário.

Serra do Mel expõe um problema recorrente em muitos municípios: a opção política por ações de maior visibilidade, enquanto serviços essenciais permanecem precários. Festa passa. O impacto da falta de assistência em saúde, não.