A Polícia Civil do Rio Grande do Norte
prendeu, na tarde desta quarta-feira (26), um homem de 52 anos suspeito de
matar Paula Nayara Tavares de Oliveira, a “Paulinha”, em Ceará-Mirim. A prisão
ocorreu em Natal, após cumprimento de mandado expedido pela 3ª Vara da Comarca
do município. O suspeito havia fugido para a Bahia logo após o crime, mas
decidiu retornar ao estado para se apresentar.
Segundo as investigações, o homicídio
aconteceu no último domingo (23) depois de um desentendimento por causa de uma
dívida de apenas R$ 2 mil, ligada a uma negociação de imóveis. Conforme
a apuração da Polícia Civil, o homem deixou o local da discussão, foi até a
própria casa buscar uma arma de fogo e voltou decidido a atirar contra
Paulinha. Ela foi atingida por três disparos e morreu ali mesmo. A mãe dela
também teria sido alvo de um tiro, mas não foi atingida.
Após o crime, o homem fugiu para a
Bahia. De acordo com a corporação, ele resolveu se apresentar espontaneamente
por temer represálias contra familiares. Chegou a Natal acompanhado do
advogado, onde teve o mandado de prisão preventiva formalizado. Agora,
permanece no sistema prisional à disposição da Justiça. O caso segue sob
investigação da 14ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de
Ceará-Mirim. Informações anônimas podem ser repassadas pelo Disque Denúncia
181.
E aqui começa o ponto que merece
reflexão — e cobrança.
Mais uma vez, uma discussão banal,
algo que poderia ser resolvido com papel, caneta, diálogo ou até Justiça Civil,
vira motivo para uma execução a sangue-frio. Estamos falando de uma dívida de
R$ 2 mil, valor que não pode — e não deve — ser justificativa para ninguém
recorrer à violência extrema. Mas, infelizmente, esse tipo de comportamento tem
se tornado quase “padrão” em vários municípios potiguares: conflitos comuns de
convivência se transformam em tragédias porque alguém decide substituir a razão
pela arma.
O caso escancara ainda um problema
mais amplo: a facilidade com que alguns cidadãos têm acesso a armamento, somada
ao desprezo absoluto pela vida do outro. A sensação é de que discussões
corriqueiras estão ganhando um peso desproporcional, e a ausência de mecanismos
sociais e psicológicos para mediar conflitos está custando vidas.
Paulinha é mais uma vítima dessa
cultura da reação impulsiva, da resolução torpe, do “deixa que eu faço” no pior
sentido. Ceará-Mirim e tantas outras cidades do RN seguem acumulando histórias
que poderiam ter sido evitadas. E a grande pergunta que fica é: até quando?


