quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Suspeito de assassinar Paulinha em Ceará-Mirim é preso após retornar da Bahia; caso expõe violência crescente e descaso com conflitos banais que viram tragédia

 


A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu, na tarde desta quarta-feira (26), um homem de 52 anos suspeito de matar Paula Nayara Tavares de Oliveira, a “Paulinha”, em Ceará-Mirim. A prisão ocorreu em Natal, após cumprimento de mandado expedido pela 3ª Vara da Comarca do município. O suspeito havia fugido para a Bahia logo após o crime, mas decidiu retornar ao estado para se apresentar.

Segundo as investigações, o homicídio aconteceu no último domingo (23) depois de um desentendimento por causa de uma dívida de apenas R$ 2 mil, ligada a uma negociação de imóveis. Conforme a apuração da Polícia Civil, o homem deixou o local da discussão, foi até a própria casa buscar uma arma de fogo e voltou decidido a atirar contra Paulinha. Ela foi atingida por três disparos e morreu ali mesmo. A mãe dela também teria sido alvo de um tiro, mas não foi atingida.

Após o crime, o homem fugiu para a Bahia. De acordo com a corporação, ele resolveu se apresentar espontaneamente por temer represálias contra familiares. Chegou a Natal acompanhado do advogado, onde teve o mandado de prisão preventiva formalizado. Agora, permanece no sistema prisional à disposição da Justiça. O caso segue sob investigação da 14ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Ceará-Mirim. Informações anônimas podem ser repassadas pelo Disque Denúncia 181.

E aqui começa o ponto que merece reflexão — e cobrança.

Mais uma vez, uma discussão banal, algo que poderia ser resolvido com papel, caneta, diálogo ou até Justiça Civil, vira motivo para uma execução a sangue-frio. Estamos falando de uma dívida de R$ 2 mil, valor que não pode — e não deve — ser justificativa para ninguém recorrer à violência extrema. Mas, infelizmente, esse tipo de comportamento tem se tornado quase “padrão” em vários municípios potiguares: conflitos comuns de convivência se transformam em tragédias porque alguém decide substituir a razão pela arma.

O caso escancara ainda um problema mais amplo: a facilidade com que alguns cidadãos têm acesso a armamento, somada ao desprezo absoluto pela vida do outro. A sensação é de que discussões corriqueiras estão ganhando um peso desproporcional, e a ausência de mecanismos sociais e psicológicos para mediar conflitos está custando vidas.

Paulinha é mais uma vítima dessa cultura da reação impulsiva, da resolução torpe, do “deixa que eu faço” no pior sentido. Ceará-Mirim e tantas outras cidades do RN seguem acumulando histórias que poderiam ter sido evitadas. E a grande pergunta que fica é: até quando?