A operação “Eixos” expõe mais uma
frente de combate ao narcotráfico no Rio Grande do Norte e na Paraíba,
revelando o quanto essas redes criminosas se estruturam de forma articulada,
ocupando territórios distintos e aproveitando brechas entre os estados. O
volume da ação — 19 mandados de prisão preventiva, 17 de busca e mais de 100
agentes mobilizados — indica que os investigados não atuavam de forma
isolada, mas sim dentro de um esquema organizado, com divisão de funções e
ramificação em vários municípios.
O foco nas cidades de Mossoró,
Angicos, Campo Grande, Parnamirim, Natal e João Pessoa mostra que o grupo
explorava rotas estratégicas, espalhadas tanto pelo interior quanto pelas
regiões metropolitanas, ampliando o alcance das operações de tráfico e
fortalecendo a estrutura criminosa. A participação conjunta de diversas
unidades especializadas — Denarc, NIQ, DHPP, Defur, Deprov e delegacias da
Paraíba — reforça que o enfrentamento desse tipo de crime exige integração e
inteligência policial.
A operação também ganha peso por fazer
parte da “Narke 5”, iniciativa nacional coordenada pelo Ministério da
Justiça, que busca sufocar organizações que atuam em múltiplos estados. Isso
sugere que o grupo desarticulado no RN e na PB não é apenas um ponto isolado,
mas uma peça dentro de um cenário mais amplo de redes criminosas que se
aproveitam da circulação interestadual para crescer.
Em síntese, a “Eixos” representa um
golpe relevante contra o tráfico na região, mas também evidencia a necessidade
contínua de ações coordenadas, já que as facções e grupos menores seguem se
reorganizando rapidamente. É um avanço importante, mas longe de ser o capítulo
final dessa disputa diária entre Estado e crime organizado.


