O comentário levado ao ar no programa
de Michele Rincon, na Jovem Pan News Natal, acendeu um alerta sobre um ponto
sensível da política potiguar: a possibilidade de Walter Alves não assumir o
governo durante o afastamento de Fátima Bezerra para disputar as eleições de
2026. Aquilo que era tratado como “certo” agora entra no campo das incertezas —
e isso, naturalmente, mexe com todo o xadrez político do RN.
Na avaliação dos jornalistas, se Walter realmente ficar de fora
dessa transição temporária, cria-se um efeito dominó: Fátima teria de
permanecer no cargo até o fim do mandato, abrindo mão de qualquer candidatura
no próximo ano. Resultado? Um espaço aberto para o Senado, que — pela narrativa
apresentada no programa — poderia ser ocupado pela deputada federal Natália
Bonavides.
Até aí, conjecturas.
Mas a parte que realmente chama atenção é outra.
Falar em “recuo” da governadora para
abrir passagem a Natália Bonavides não combina com o comportamento do PT
potiguar — pelo menos não neste momento. O partido costuma trabalhar sua
estratégia eleitoral de forma amarrada, centralizada e sem abrir mão de
protagonismo em disputas majoritárias. Ou seja: a tese pode até render debate,
mas colide com o modo de operação tradicional da sigla no RN.
O fato é que a movimentação — real,
especulada ou apenas testada — revela que o tabuleiro de 2026 está longe de
estar definido. E se a relação entre Fátima, Walter e o MDB já era de
equilíbrio delicado, qualquer ruído nessa engrenagem expõe ainda mais as
tensões internas na formação da chapa governista.
No fim das contas, fica a sensação de
que muita peça ainda vai se mexer. E, como sempre, os bastidores costumam dizer
mais do que as declarações oficiais.

