Jimmy Cliff, um dos ícones mais
influentes do reggae, nos deixou aos 81 anos, conforme anunciado pela
família nesta segunda-feira. Sua morte marca o fim de uma trajetória musical
que atravessou décadas e continentes, mas um capítulo em particular, o
brasileiro, sempre teve um lugar especial no seu coração e na sua carreira.
A conexão com o Brasil
Desde muito cedo, Jimmy Cliff
demonstrou fascínio pelo Brasil. Em 1968, ele esteve no país para participar do
Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, onde impressionou o
público.
Nas décadas seguintes, sua relação com
o Brasil só se intensificou. Ele morou em Salvador e no Rio de Janeiro, e
manteve uma ligação forte com a cultura local. Fazia turnês pelo país ao lado
de artistas como Gilberto Gil, estreitando ainda mais os laços entre o
reggae jamaicano e os ritmos brasileiros.
Em Salvador, ele também se envolveu
com o Olodum, contribuindo para a fusão que viria a ser o samba-reggae. Além
disso, teve uma filha com a psicóloga baiana Sônia Gomes: a cantora e
atriz Nabiyah Be, que carrega no sangue a herança musical de seu pai.
A morte de Jimmy Cliff representa uma
perda gigantesca para a música e para a cultura global. Mas sua relação íntima
com o Brasil — seja por meio de parcerias, moradia, família ou inspiração —
mostra o quanto ele se sentia em casa por aqui. Seu legado não é apenas
musical: é humano, político e profundamente conectado à nossa história.


