Nas redes sociais, virou mantra dizer
que o Brasil é pobre, quebrado, incapaz de competir com nações europeias. Mas
basta olhar com um mínimo de atenção para perceber o tamanho da contradição: como
um país que vive reclamando de falta de recursos consegue sustentar uma das
maiores redes de programas sociais do mundo?
Afinal, o país que dizem não ter
dinheiro é o mesmo que mantém mais de 75 programas sociais federais em
atividade, além de dezenas criados por estados e municípios. E mais: distribui
valores diretos por meio de pelo menos 18 programas de transferência de
renda diferentes.
Quando o “país pobre” sustenta milhões
O Bolsa Família chega às
famílias mais vulneráveis.
O BPC garante renda mínima a idosos e pessoas com deficiência.
O Auxílio Gás socorre lares que não conseguem comprar um botijão.
O Pé-de-Meia tenta segurar o jovem no ensino médio.
O Minha Casa, Minha Vida reduz o déficit habitacional.
O Luz Para Todos levou energia aos cantos onde só havia lamparina.
O Auxílio-Inclusão apoia pessoas com deficiência que entram no mercado
de trabalho.
E tudo passa pelo Cadastro Único, que registra os brasileiros de baixa renda com precisão. Ou seja: o país “sem recursos” dá conta de uma engrenagem social gigantesca.
Enquanto isso, representantes
estaduais e municipais repetem o discurso da escassez
É curioso ver autoridades estaduais e
municipais alegando que “o dinheiro sumiu”, “o orçamento é curto”, “a receita
não fecha” — mas na hora de colher os resultados políticos dos programas
federais, ninguém reclama.
O discurso da falta de dinheiro
funciona bem no palanque. Assumir má gestão, prioridade torta ou desorganização administrativa, nem
tanto.
Se o Brasil fosse realmente pobre,
esses auxílios já teriam desmoronado, ou não?
O país arrecada como nação rica. A
carga tributária passa de 33% do PIB.
O problema não é falta de arrecadação: é falta de eficiência.
O custo dos programas sociais, apesar
de atingir milhões, é baixo diante do tamanho do orçamento.
E mais: nenhum gestor ousa mexer neles. Seria um suicídio político.
O peso está em outro lugar
Não é o Bolsa Família que quebra o
país.
Não é o Auxílio Gás que inviabiliza investimento.
Não é o Pé-de-Meia que impede obra pública.
O verdadeiro dreno está em juros,
dívidas, desperdícios, renúncias fiscais, obras mal planejadas, privilégios e a
eterna burocracia que come o Estado por dentro.
Conclusão
O Brasil não é pobre.
sempre foi mal conduzido.
E enquanto continuarmos aceitando o
discurso confortável da escassez, seguiremos presos ao mesmo paradoxo: um país
gigante, arrecadador, produtor — mas comandado por lideranças que preferem
repetir que não há dinheiro, quando o que realmente falta não é recurso, e sim
responsabilidade.

