terça-feira, 30 de setembro de 2025

Lula veta afrouxamento da Ficha Limpa: quem perde e quem ganha com essa decisão

 


O Congresso tentou mexer na Lei da Ficha Limpa para abrir brechas que encurtariam o tempo de inelegibilidade de políticos cassados ou condenados. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou esse “presente” que muitos parlamentares estavam embalando para si mesmos e para aliados enrolados com a Justiça.

O veto preserva a essência da lei: o político condenado ou cassado só volta a disputar eleição oito anos depois de cumprir a pena ou encerrar o mandato. É duro? É. Mas é o mínimo aceitável pela sociedade por esse rincão a fora.

Quem perde

  • Jair Bolsonaro: com a regra aprovada pelo Congresso, sua inelegibilidade seria contada a partir da eleição de 2022 e ele poderia se livrar da punição antes de 2030. O veto o mantém fora do jogo.
  • Deputados, senadores e prefeitos cassados: todos aqueles que sonhavam com um retorno mais rápido às urnas viram a porta se fechar.
  • O Congresso, que mais uma vez se expõe: a tentativa de alterar a lei não foi para melhorar o sistema, mas para proteger a própria classe política.

Quem ganha

  • O eleitor, que não terá que ver políticos condenados em todas as instacias voltando mais cedo ao palanque.
  • A Justiça Eleitoral, que mantém a coerência na aplicação da lei e evita um festival de judicializações.
  • O próprio Lula, que se coloca como guardião da moralidade pública, mesmo que isso incomode adversários e parte da classe política.

A opinião crítica

O episódio mostra, mais uma vez, que o Congresso insiste em legislar em causa própria. O projeto aprovado por deputados e senadores não era uma “modernização” da lei, mas sim uma manobra para diminuir punições que eles mesmos podem vir a enfrentar. É o velho corporativismo: quando a corda aperta, tentam mudar a regra do jogo.

O veto de Lula, nesse contexto, não é apenas uma decisão técnica orientada pela AGU ou pelo Ministério da Justiça. É também uma jogada política: ele sabe que não teria como explicar ao país por que assinou uma flexibilização que beneficiaria diretamente Bolsonaro e outros políticos cassados.

No fim das contas, perde a classe política que queria escapar pela porta dos fundos, e ganha a sociedade que exige regras claras contra os maus gestores.

O veto do presidente ora fazer o congresso se movimentar de forma contrária ao entendimento do presidente, não sei. 

Vamos aguardar...