O Rio Grande do Norte está prestes a
enfrentar um dos maiores golpes em sua balança comercial dos últimos anos. O
novo tarifaço anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, que
entra em vigor nesta quarta-feira (6), impõe tarifas de até 50% sobre os
principais produtos exportados pelo estado para os EUA, atingindo diretamente dois
pilares da economia potiguar: a pesca e a indústria salineira.
A medida, com forte viés protecionista
e político, deve provocar perdas anuais entre US$ 70 e 100 milhões, segundo
estimativa da FIERN. Ou seja, bilhões de reais que deixarão de circular na
economia potiguar, afetando empresas, trabalhadores e cadeias produtivas
inteiras, realidade destacada no G1RN.
Entenda
O mais afetado será o setor pesqueiro,
especialmente o atum fresco. Hoje, 80% de toda a produção potiguar desse peixe
tem como destino os Estados Unidos. Com a nova tarifa, o produto se tornará
caro e menos competitivo naquele mercado, colocando em risco mais de 1.500
empregos diretos, além de centenas de outros indiretos. E o cenário se agrava
ainda mais pelo fato de que o Brasil está banido do mercado europeu de pescado
desde 2018, o que limita as alternativas de exportação.
Já o setor salineiro, um dos mais
tradicionais do estado, também sofre um golpe certeiro. O sal potiguar, que tem
destaque internacional por sua qualidade, agora terá de enfrentar tarifas
altíssimas para entrar nos EUA. Isso representa prejuízos diretos à produção,
ao escoamento e ao emprego nas regiões salineiras, como Macau, Mossoró, Areia
Branca e Grossos.
Quantidade
Dos 47 produtos exportados do RN para
os EUA, 45 serão taxados, segundo o governo estadual. Só escaparam o óleo
combustível e a castanha de caju. Isso demonstra o alcance devastador da medida
para o comércio exterior do estado. Para se ter uma ideia, os EUA representaram
15% das exportações do RN só no primeiro semestre de 2025, com um total de US$
67,1 milhões enviados ao país.
Em resumo, a medida anunciada por
Trump é um retrocesso e um duro ataque à economia potiguar, que vinha dando
sinais de recuperação e crescimento. O mais grave: tudo isso ocorre sem que o
estado ou o país tenham uma estrutura de defesa ou alternativas comerciais de
curto prazo. Falta articulação federal, presença diplomática, e sobretudo, políticas
públicas de proteção aos nossos produtores e exportadores.
Se o governo federal não reagir com
urgência, milhares de empregos serão perdidos, cadeias produtivas serão
desmanteladas, e o RN voltará a depender quase exclusivamente do mercado
interno, com todas as suas limitações.
O momento exige posição firme, diálogo
internacional e medidas compensatórias reais. O povo potiguar, que já enfrenta
os desafios de um país desigual, não pode pagar a conta das guerras comerciais
de potências estrangeiras.


