segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Tarifaço de Trump atinge em cheio o RN e ameaça empregos e exportações

 


O Rio Grande do Norte está prestes a enfrentar um dos maiores golpes em sua balança comercial dos últimos anos. O novo tarifaço anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, que entra em vigor nesta quarta-feira (6), impõe tarifas de até 50% sobre os principais produtos exportados pelo estado para os EUA, atingindo diretamente dois pilares da economia potiguar: a pesca e a indústria salineira.

A medida, com forte viés protecionista e político, deve provocar perdas anuais entre US$ 70 e 100 milhões, segundo estimativa da FIERN. Ou seja, bilhões de reais que deixarão de circular na economia potiguar, afetando empresas, trabalhadores e cadeias produtivas inteiras, realidade destacada no G1RN.

Entenda

O mais afetado será o setor pesqueiro, especialmente o atum fresco. Hoje, 80% de toda a produção potiguar desse peixe tem como destino os Estados Unidos. Com a nova tarifa, o produto se tornará caro e menos competitivo naquele mercado, colocando em risco mais de 1.500 empregos diretos, além de centenas de outros indiretos. E o cenário se agrava ainda mais pelo fato de que o Brasil está banido do mercado europeu de pescado desde 2018, o que limita as alternativas de exportação.

Já o setor salineiro, um dos mais tradicionais do estado, também sofre um golpe certeiro. O sal potiguar, que tem destaque internacional por sua qualidade, agora terá de enfrentar tarifas altíssimas para entrar nos EUA. Isso representa prejuízos diretos à produção, ao escoamento e ao emprego nas regiões salineiras, como Macau, Mossoró, Areia Branca e Grossos.

Quantidade

Dos 47 produtos exportados do RN para os EUA, 45 serão taxados, segundo o governo estadual. Só escaparam o óleo combustível e a castanha de caju. Isso demonstra o alcance devastador da medida para o comércio exterior do estado. Para se ter uma ideia, os EUA representaram 15% das exportações do RN só no primeiro semestre de 2025, com um total de US$ 67,1 milhões enviados ao país.

Em resumo, a medida anunciada por Trump é um retrocesso e um duro ataque à economia potiguar, que vinha dando sinais de recuperação e crescimento. O mais grave: tudo isso ocorre sem que o estado ou o país tenham uma estrutura de defesa ou alternativas comerciais de curto prazo. Falta articulação federal, presença diplomática, e sobretudo, políticas públicas de proteção aos nossos produtores e exportadores.

Se o governo federal não reagir com urgência, milhares de empregos serão perdidos, cadeias produtivas serão desmanteladas, e o RN voltará a depender quase exclusivamente do mercado interno, com todas as suas limitações.

O momento exige posição firme, diálogo internacional e medidas compensatórias reais. O povo potiguar, que já enfrenta os desafios de um país desigual, não pode pagar a conta das guerras comerciais de potências estrangeiras.