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| Estado tem hoje os piores índices do País em alfabetização e desempenho escolar no ensino médio da rede pública |
A secretária de Educação do Rio Grande
do Norte, Socorro Batista, afirmou que a reprovação é hoje o
principal fator da evasão escolar no Estado. A estimativa apresentada pela
própria pasta é alarmante: 14% dos estudantes da rede pública são reprovados
e 10% abandonam a escola todos os anos. Ou seja, praticamente um quarto
dos jovens potiguares tem sua trajetória interrompida.
Diante desse quadro, a Seec publicou
em 25 de julho a Portaria nº 6.452/2025, que cria o regime de progressão
parcial. A medida permite que alunos do Ensino Médio avancem com até
seis disciplinas em dependência, enquanto estudantes do 6º ao 9º ano do
Fundamental poderão seguir para a série seguinte devendo até três matérias.
A promessa do governo
Segundo Socorro, o objetivo é simples:
evitar que a reprovação leve ao abandono escolar. “O jovem perde um ano
inteiro por uma ou duas disciplinas, isso o desestimula a continuar. Com a
progressão parcial, ele segue, mas cumpre dependência nos componentes que não
conseguiu aprovação”, explicou, em entrevista à Jovem Pan.
A secretária garante que não se trata
de aprovação automática. O aluno só poderá concluir o Ensino Médio após quitar
todas as pendências. O governo promete ainda um pacote de suporte: Chromebooks,
plataformas digitais personalizadas e professores-tutores para acompanhar
cada estudante em dependência.
O preço a pagar
Apesar da roupagem otimista, a medida
levanta questionamentos. A própria secretária admite que pode haver sobrecarga
para o estudante, que terá de conciliar novas disciplinas com as antigas.
“É um preço que se paga para corrermos atrás dos nossos sonhos”, disse Socorro.
Mas a pergunta que fica é: não
seria esse um atalho perigoso? A progressão parcial pode até reduzir os
números da evasão, mas será que ataca a raiz do problema — a falta de
aprendizagem efetiva? Em vez de fortalecer a base, o risco é empurrar
estudantes adiante sem que tenham consolidado conhecimentos essenciais.
O desafio real
O discurso é bonito: “recompor
aprendizagens, contribuir para que os estudantes avancem”. Na prática, porém, a
realidade das escolas estaduais — muitas vezes com infraestrutura precária,
professores sobrecarregados e turmas lotadas — deixa dúvidas sobre a
viabilidade desse acompanhamento personalizado prometido.
Ao invés de apenas remediar
estatísticas, a política educacional do RN precisa enfrentar de frente a
questão da qualidade do ensino. Caso contrário, a progressão parcial
pode acabar funcionando apenas como maquiagem de números, inflando
índices e mascarando a dura realidade da sala de aula.


