sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Reprovação vira alvo da Secretaria de Educação do RN: solução ou maquiagem de números?

 

Estado tem hoje os piores índices do País em alfabetização e desempenho escolar no ensino médio da rede pública

A secretária de Educação do Rio Grande do Norte, Socorro Batista, afirmou que a reprovação é hoje o principal fator da evasão escolar no Estado. A estimativa apresentada pela própria pasta é alarmante: 14% dos estudantes da rede pública são reprovados e 10% abandonam a escola todos os anos. Ou seja, praticamente um quarto dos jovens potiguares tem sua trajetória interrompida.

Diante desse quadro, a Seec publicou em 25 de julho a Portaria nº 6.452/2025, que cria o regime de progressão parcial. A medida permite que alunos do Ensino Médio avancem com até seis disciplinas em dependência, enquanto estudantes do 6º ao 9º ano do Fundamental poderão seguir para a série seguinte devendo até três matérias.

A promessa do governo

Segundo Socorro, o objetivo é simples: evitar que a reprovação leve ao abandono escolar. “O jovem perde um ano inteiro por uma ou duas disciplinas, isso o desestimula a continuar. Com a progressão parcial, ele segue, mas cumpre dependência nos componentes que não conseguiu aprovação”, explicou, em entrevista à Jovem Pan.

A secretária garante que não se trata de aprovação automática. O aluno só poderá concluir o Ensino Médio após quitar todas as pendências. O governo promete ainda um pacote de suporte: Chromebooks, plataformas digitais personalizadas e professores-tutores para acompanhar cada estudante em dependência.

O preço a pagar

Apesar da roupagem otimista, a medida levanta questionamentos. A própria secretária admite que pode haver sobrecarga para o estudante, que terá de conciliar novas disciplinas com as antigas. “É um preço que se paga para corrermos atrás dos nossos sonhos”, disse Socorro.

Mas a pergunta que fica é: não seria esse um atalho perigoso? A progressão parcial pode até reduzir os números da evasão, mas será que ataca a raiz do problema — a falta de aprendizagem efetiva? Em vez de fortalecer a base, o risco é empurrar estudantes adiante sem que tenham consolidado conhecimentos essenciais.

O desafio real

O discurso é bonito: “recompor aprendizagens, contribuir para que os estudantes avancem”. Na prática, porém, a realidade das escolas estaduais — muitas vezes com infraestrutura precária, professores sobrecarregados e turmas lotadas — deixa dúvidas sobre a viabilidade desse acompanhamento personalizado prometido.

Ao invés de apenas remediar estatísticas, a política educacional do RN precisa enfrentar de frente a questão da qualidade do ensino. Caso contrário, a progressão parcial pode acabar funcionando apenas como maquiagem de números, inflando índices e mascarando a dura realidade da sala de aula.