quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Quando a festa acaba, a conta chega: Assú decreta emergência após gastar R$ 5 milhões no São João

 


A Prefeitura do Assú decretou situação de emergência por 180 dias devido à seca que castiga a zona rural do município, afetando o abastecimento de água e comprometendo a produção agrícola. O decreto, assinado pelo prefeito Lula Soares (Republicanos), reconhece a gravidade da queda nos índices de chuvas e a dependência crescente da Operação Carro-Pipa para que muitas famílias tenham acesso a algo básico: água.

Até aqui, tudo dentro da realidade dura do sertão nordestino. Mas há um detalhe que não pode passar despercebido: há pouco mais de um mês, a mesma prefeitura gastou cerca de R$ 5 milhões com as atrações do São João. Uma festa grandiosa, com estrutura de show e muito brilho, que atraiu multidões e gerou manchetes positivas. Passada a folia, a população agora se depara com o decreto de emergência e com a triste constatação de que o dinheiro público, mais uma vez, parece ter sido usado sem o devido equilíbrio entre lazer e prioridade social.

É claro que a cultura popular e as tradições têm seu valor. O São João movimenta a economia, gera empregos temporários e reforça a identidade cultural do povo nordestino. Mas não dá para ignorar o contraste gritante: enquanto milhões foram investidos em dias de festa, milhares de famílias do campo enfrentam a incerteza da seca, carregando latas d’água na cabeça e dependendo de carros-pipa para beber, cozinhar e sobreviver.

Essa situação escancara uma pergunta incômoda: de que adianta promover o “maior São João da história” se a população rural segue esquecida, sem políticas estruturantes para enfrentar a estiagem? O decreto de emergência soa, para muitos, como uma confissão tardia de que o essencial foi deixado em segundo plano.

O que se espera agora é que a gestão municipal saiba administrar não apenas a escassez de água, mas também a escassez de prioridades. Festa é importante, mas dignidade é urgente.