Começou na madrugada desta
quinta-feira (7) e segue até esta sexta (8) a Operação Nordeste Integrado,
uma ação coordenada que une as forças de segurança do Rio Grande do Norte
com outros sete estados nordestinos — Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão,
Paraíba, Piauí e Sergipe — para enfrentar o avanço da criminalidade nas
regiões de divisa.
Primeiros números no RN:
No primeiro dia da operação, a polícia
potiguar já cumpriu 30 mandados judiciais, sendo:
- 18
de busca e apreensão
- 12
de prisão
- Resultado:
15 pessoas presas, além da apreensão de armas e drogas
As ações se concentraram
principalmente em municípios próximos às divisas com o Ceará e a Paraíba,
regiões sabidamente vulneráveis à atuação de facções criminosas que se
aproveitam da circulação interestadual para escapar do cerco policial.
O que é a Operação Nordeste Integrado?
A operação é uma iniciativa
interestadual que mobiliza mais de 5.900 agentes de segurança pública
com a meta de cumprir 510 mandados de prisão e busca e apreensão em toda
a região Nordeste. O foco principal é sufocar financeiramente e logisticamente
as organizações criminosas que operam entre os estados, com atenção
especial para crimes como:
- Homicídios
- Tráfico
de drogas e armas
- Roubos
e furtos de veículos e cargas
O planejamento das ações se baseia em análises
de manchas criminais, identificando áreas mais críticas e vulneráveis à
atuação do crime organizado.
Um cerco tardio?
É fato que essa megaoperação causa
impacto e representa um passo importante na cooperação entre estados. Mas
também é preciso perguntar: por que demorou tanto? O crime organizado já
opera há anos como uma empresa multinacional do crime, atravessando fronteiras
estaduais com facilidade, enquanto o Estado, muitas vezes, ainda atua como se o
problema fosse apenas local.
As fronteiras internas do Brasil são
frágeis, e os criminosos sabem disso. Sem inteligência policial integrada e
ações permanentes — e não apenas pontuais como esta —, o efeito dessas
operações tende a ser momentâneo.
Conclusão
A Operação Nordeste Integrado é
um movimento necessário, mas que precisa ser parte de uma estratégia
contínua e estruturada. O combate às facções não pode depender apenas de
ações pontuais e “operações-relâmpago”. A criminalidade organizada só será
contida com investimento em inteligência, integração entre estados e
presença efetiva do Estado onde o crime se enraizou.
Enquanto isso, seguimos acompanhando —
e cobrando.


