quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Câmara aprova projeto contra adultização de crianças nas redes sociais

 


O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (20), o Projeto de Lei 2628/2022, que cria regras para proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Conhecido como PL contra a “adultização”, o texto foi relatado pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) e retorna agora ao Senado, já que sofreu alterações durante a tramitação na Câmara.

A Proposta

Estabelece que plataformas digitais deverão adotar medidas para impedir que menores de idade tenham acesso a conteúdos ilícitos ou impróprios, como exploração sexual, violência, assédio, jogos de azar e publicidade enganosa. Além disso, prevê a exigência de mecanismos mais seguros de verificação de idade, superando a simples autodeclaração hoje utilizada.

Entre as novidades está a criação de uma autoridade nacional autônoma, inspirada na Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Essa entidade terá a responsabilidade de fiscalizar, regulamentar e garantir o cumprimento da lei, atuando de forma independente.

O Projeto de Lei

Também disciplina a coleta e o uso de dados pessoais de crianças e adolescentes, impõe regras para publicidade direcionada e define penalidades severas em caso de descumprimento — que vão de advertências a multas de até R$ 50 milhões, podendo chegar até à suspensão ou proibição de atividades no país.

Um dos pontos mais debatidos foi a previsão de remoção imediata de conteúdos criminosos. Plataformas deverão retirar publicações ofensivas mediante notificação feita por vítimas, familiares, Ministério Público ou entidades de defesa dos direitos da infância, sem necessidade de ordem judicial.

A proposta ganhou força após denúncias de exploração infantil envolvendo influenciadores digitais, que geraram comoção nacional e mobilizaram sociedade civil e parlamentares. Para especialistas, a medida representa uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diante dos novos desafios impostos pelo mundo digital.

Por fim

Agora, o Senado dará a palavra final sobre o projeto, que é considerado um marco na proteção da infância na internet.