quarta-feira, 21 de maio de 2025
Após voto pela reprovação das contas, Governo do RN defende contas de 2019 em nota oficial
Em meio ao julgamento da prestação de
contas do exercício de 2019 pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Governo
do Rio Grande do Norte divulgou uma nota oficial, nesta quarta-feira (21), para
esclarecer as ações adotadas no primeiro ano de mandato da governadora Fátima
Bezerra (PT), marcado por uma crise fiscal.
O comunicado veio após o relator do
processo, conselheiro Gilberto Jales, votar pela desaprovação das contas,
apontando irregularidades na gestão fiscal, como aumento de despesas com
pessoal sem respaldo orçamentário, cancelamentos indevidos de restos a pagar e
concessões de benefícios fiscais sem medidas compensatórias.
Em nota, o governo explicou que as
medidas foram tomadas de acordo com o cenário herdado em 2019, com atrasos
salariais, desequilíbrio previdenciário e descumprimento de pisos
constitucionais, o que levou à decretação de calamidade financeira. A gestão ainda
afirma ter adotado medidas de contenção, como auditoria da folha de pagamento,
revisão de contratos e coordenação entre órgãos, resultando na redução do
índice de gasto com pessoal e na retomada do calendário de pagamento.
O Executivo defende a legalidade e
legitimidade das decisões tomadas e solicita que os órgãos de controle
considerem o contexto histórico e financeiro da época. Já o relator do TCE
sustenta que o governo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao não
reconduzir os gastos com pessoal aos limites legais, promover aumentos
salariais sem previsão orçamentária e falhar na gestão previdenciária.
O julgamento foi suspenso após pedido
de vistas do conselheiro George Soares, restando ainda o voto do presidente da
Corte, Carlos Thompson. A decisão final será submetida à Assembleia
Legislativa.
Confira nota na íntegra:
O Governo do Estado do Rio Grande do Norte, diante da apreciação em curso das
contas de 2019, apresenta esclarecimentos à sociedade potiguar,
contextualizando de forma transparente e fundamentada as decisões adotadas
naquele exercício, marcado por severas restrições fiscais, reafirmando o
compromisso com a legalidade, a responsabilidade fiscal e a integridade na
gestão dos recursos públicos.
O ano de 2019 marcou o início de um mandato com desafios excepcionais. A gestão
estadual se deparou com um colapso financeiro: folhas salariais em atraso,
passivos ocultos, descumprimento de pisos constitucionais e desequilíbrio
previdenciário estrutural. E em razão disso foi editado o Decreto nº
28.689/2019, declarando estado de calamidade financeira, com reconhecimento
formal da Assembleia Legislativa.
Apesar das restrições, o Estado reduziu efetivamente a despesa com pessoal, de
65,5% da Receita Corrente Líquida em 2018 para 60,56% em 2019. Restabelecemos o
calendário de pagamento e iniciamos o pagamento dos salários atrasados. Isso
foi fruto de ações como auditoria de folha, revisão de contratos, coordenação
entre órgãos e melhoria no monitoramento.
O Governo do Estado reafirma sua convicção na legalidade, legitimidade e
responsabilidade fiscal das decisões de 2019, confiando que os órgãos de
controle externo considerarão não apenas os números, mas o contexto histórico,
jurídico e social das decisões adotadas.

