quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Incoerência política: O Allyson de ontem não reconhece o de hoje

 

A incoerência de um " novo politico"

Na política potiguar, não existe espaço para fingimento prolongado. Ou o político sustenta o discurso que o projetou, ou será desmascarado pelo próprio caminho que escolheu trilhar.

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, parece ter optado pela segunda alternativa.

Eleito sob a bandeira da “nova política”, do enfrentamento às oligarquias e da promessa de ruptura com os velhos vícios do Rio Grande do Norte, Allyson agora apresenta ao eleitor um personagem completamente distinto daquele que o levou ao poder. O Allyson que apontava o dedo hoje estende a mão.

Apostando na velha tese da memória curta do eleitor, o prefeito coloca seu nome à disposição para disputar o Governo do Estado abraçado às mesmas estruturas políticas que dizia combater. As oligarquias, antes tratadas como o grande mal da política potiguar, agora viraram degraus de um projeto pessoal de poder.

Entenda

Coube à ex-deputada estadual Larissa Rosado, líder do PSB no RN, cumprir o papel que a sociedade espera de quem tem memória e responsabilidade política: lembrar o passado recente. Em entrevista à TV Agora RN, Larissa escancarou a incoerência do discurso de Allyson Bezerra, desmontando a narrativa da diferença que ele insistia em vender.

Allyson construiu sua imagem atacando famílias tradicionais, acusando Rosado, Alves e Maia de representarem tudo aquilo que atrasava Mossoró e o Estado. Hoje, porém, seu palanque é sustentado justamente por Walter Alves (MDB) e José Agripino Maia (União), símbolos vivos da política que ele dizia querer enterrar.

Conveniência ou Amadurecimento

Não se trata de amadurecimento político. Trata-se de conveniência.
Não é diálogo institucional. É rendição ao sistema.

O problema não está em dialogar ou construir alianças — isso faz parte da política. O problema está em negar o próprio discurso, em cuspir na narrativa que garantiu votos, confiança e capital político.

Quem se apresenta como diferente não pode, no primeiro projeto maior, correr para o colo das velhas oligarquias. Isso não é pragmatismo. É traição política ao eleitor.

Esse tipo de incoerência cobra um preço alto.

O político que muda de lado sem explicar, sem assumir, sem pedir autorização às bases, se perde no meio do caminho. Fica sem identidade, sem discurso e, principalmente, sem credibilidade.

Moral da História

Hoje, Allyson Bezerra pratica exatamente aquilo que mais abominava: integra-se às oligarquias que classificava como ultrapassadas e prejudiciais ao Rio Grande do Norte.

Esse é o novo Allyson que se apresenta ao povo potiguar.

Resta saber se o eleitor aceitará o papel de figurante — ou se cobrará a fatura da incoerência nas urnas.