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| A incoerência de um " novo politico" |
Na política potiguar, não existe
espaço para fingimento prolongado.
Ou o político sustenta o discurso que o projetou, ou será desmascarado pelo
próprio caminho que escolheu trilhar.
O prefeito de Mossoró, Allyson
Bezerra, parece ter optado pela segunda alternativa.
Eleito sob a bandeira da “nova
política”, do enfrentamento às oligarquias e da promessa de ruptura com os
velhos vícios do Rio Grande do Norte, Allyson agora apresenta ao eleitor um
personagem completamente distinto daquele que o levou ao poder. O Allyson
que apontava o dedo hoje estende a mão.
Apostando na velha tese da memória
curta do eleitor, o prefeito coloca seu nome à disposição para disputar o
Governo do Estado abraçado às mesmas estruturas políticas que dizia combater.
As oligarquias, antes tratadas como o grande mal da política potiguar, agora
viraram degraus de um projeto pessoal de poder.
Entenda
Coube à ex-deputada estadual Larissa
Rosado, líder do PSB no RN, cumprir o papel que a sociedade espera de quem tem
memória e responsabilidade política: lembrar o passado recente. Em entrevista à
TV Agora RN, Larissa escancarou a incoerência do discurso de Allyson Bezerra,
desmontando a narrativa da diferença que ele insistia em vender.
Allyson construiu sua imagem atacando
famílias tradicionais, acusando Rosado, Alves e Maia de representarem tudo
aquilo que atrasava Mossoró e o Estado. Hoje, porém, seu palanque é sustentado
justamente por Walter Alves (MDB) e José Agripino Maia (União),
símbolos vivos da política que ele dizia querer enterrar.
Conveniência ou Amadurecimento
Não se trata de amadurecimento
político. Trata-se de conveniência.
Não é diálogo institucional. É rendição ao sistema.
O problema não está em dialogar ou
construir alianças — isso faz parte da política. O problema está em negar o
próprio discurso, em cuspir na narrativa que garantiu votos, confiança e
capital político.
Quem se apresenta como diferente não
pode, no primeiro projeto maior, correr para o colo das velhas oligarquias.
Isso não é pragmatismo. É traição política ao eleitor.
Esse tipo de incoerência cobra um
preço alto.
O político que muda de lado sem
explicar, sem assumir, sem pedir autorização às bases, se perde no meio do
caminho. Fica sem identidade, sem discurso e, principalmente, sem
credibilidade.
Moral da História
Hoje, Allyson Bezerra pratica
exatamente aquilo que mais abominava: integra-se às oligarquias que
classificava como ultrapassadas e prejudiciais ao Rio Grande do Norte.
Esse é o novo Allyson que se apresenta ao povo potiguar.
Resta saber se o eleitor aceitará o papel de figurante — ou se cobrará a fatura
da incoerência nas urnas.


