Quem apostava que o carnaval dos
macauenses seria afetado pelo novo formato da folia de Momo — já bastante
questionado nas redes sociais — se enganou completamente.
Neste sábado de pré-carnaval, as ruas da cidade foram tomadas pela alegria do povo, com a animação do Bloco Só Elas e do Bloco Araruta, cada um com sua particularidade:
- O Bloco Só Elas, formado exclusivamente por mulheres( aproximadamente 800 mulheres na composição do Bloco);
- Já o Araruta, composto em
sua maioria por homens — 99%, para ser mais preciso — já que Maria do Monte faz
parte dessa folia do Araruta.
O que se viu foi a confirmação de que
a alegria do reinado de Momo permanece firme na terra das salinas. Afinal, a
essência do nosso carnaval sempre foi construída assim: com blocos populares
que, mesmo com estruturas simples — carrocinhas com aparelhos de som ou
pequenos trios —, faziam (e fazem) a festa acontecer.
Histórico
Blocos como Jardim da Infância,
Equipicão, Os Bruxos, Balancê, Kenthura, Caça-Cheiro, Sakanas, entre tantos
outros, foram responsáveis por transformar as ruas de Macau em verdadeiros
palcos de alegria, mantendo viva a chama do carnaval ao longo dos anos.
A demonstração vista hoje só reforça
uma verdade incontestável: o carnaval quem faz é o povo. Sempre foi
assim — e deve continuar sendo. O patrimônio cultural que o carnaval de Macau
representa foi conquistado através da luta, da resistência e a criatividade
desses blocos do passado.
Por fim
Feliz é o povo que não se entrega
quando o assunto é festejar o seu Reinado de Momo. Entra prefeito, sai prefeito
— cada qual com seu jeito de governar, agradando uns e desagradando outros,
como é próprio das disputas públicas. Mas uma coisa é clara e não muda: a
folia de uma cidade é feita por quem vive nela.
O reinado de Momo depende, acima de
tudo, da alegria do seu povo. E isso o folião macauense está mostrando, mais
uma vez, ocupando as ruas e fazendo do carnaval uma expressão legítima da sua
identidade cultural.
A Irreverência do Bloco Araruta:

