quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Cadu expõe cálculo político e coloca em dúvida renúncia de Fátima Bezerra

 


A possibilidade de a governadora Fátima Bezerra (PT) renunciar ao cargo para disputar o Senado deixou de ser tratada como decisão certa e passou a depender, claramente, de um cálculo político. Foi o que deixou evidente o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), ao admitir que a chefe do Executivo pode permanecer no governo caso não haja garantia de que o controle da gestão fique com o grupo governista.

Em entrevista concedida na noite desta terça-feira (3) ao Jornal das Seis, da rádio 96 FM, Cadu foi direto ao ponto ao afirmar que a renúncia só ocorrerá se o PT tiver segurança na eleição indireta que pode acontecer na Assembleia Legislativa. Caso contrário, segundo ele, entregar o governo à oposição em pleno processo eleitoral seria “um suicídio político”.

A declaração escancara o temor do Palácio Potengi diante de um cenário cada vez mais incerto. Para disputar o Senado, Fátima precisa renunciar até o dia 4 de abril, cumprindo a regra da desincompatibilização. O vice-governador Walter Alves (MDB), que seria o sucessor natural, já anunciou que não assumirá o cargo, pois pretende concorrer a uma vaga de deputado estadual.

Com isso, abre-se a possibilidade de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, onde os 24 deputados estaduais escolheriam um governador e um vice para cumprir um mandato tampão até janeiro de 2027. Nesse tabuleiro, o PT defende o nome de Cadu Xavier, mas enfrenta resistências claras dentro da Casa.

O discurso do secretário revela que a decisão de Fátima Bezerra não será guiada apenas por um projeto eleitoral pessoal, mas, sobretudo, pela capacidade do seu grupo político de manter o controle da máquina administrativa até o fim do mandato. Se não houver maioria, a renúncia pode ficar só no discurso — e o projeto ao Senado, ameaçado.

Mais do que uma hipótese, a fala de Cadu joga luz sobre os bastidores do poder e mostra que, quando o cenário deixa de ser “céu de brigadeiro”, a prudência política costuma falar mais alto que a ambição eleitoral.