O mercado de shows no Brasil chegou a
um ponto de desequilíbrio evidente. Cachês que ultrapassam R$ 1,5 milhão — e
que já flertam com a casa dos R$ 2 milhões — deixaram de ser exceção para se
tornar regra em grandes eventos. O resultado é perverso: festas privadas
tradicionais estão sendo sufocadas e os municípios, pressionados a assumir
custos que não condizem com a realidade financeira da maioria das cidades
brasileiras.
É preciso dizer com clareza: não há
orçamento público que suporte essa escalada sem consequências. Quando uma
prefeitura destina milhões para poucas horas de apresentação, o impacto recai
diretamente sobre áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e
assistência social. A conta não fecha — e quem paga é a sociedade.
Produtores privados já entenderam o
recado do mercado.
Muitos eventos de camisa e bilheteria
desapareceram, outros encolheram drasticamente. Não por falta de público, mas
porque os cachês tornaram-se incompatíveis com qualquer lógica de
sustentabilidade financeira. O público, por sua vez, também foi empurrado para
fora: ingressos cada vez mais caros afastam famílias e elitizam festas que
sempre tiveram caráter popular.
Diante desse cenário
A iniciativa dos prefeitos baianos, por meio da UPB, de discutir um teto de gastos por atração é não apenas legítima, mas necessária - muitas bandas que não tem um sucesso, uma historia na musica ou sumiram e retornaram apos pandemia exigem uma cachê fora da sua realdiade musical - Essa realidade discutuda pelos prefeitos trata-se de um movimento responsável, que busca proteger os cofres públicos, garantir previsibilidade orçamentária e resguardar o interesse coletivo. O acompanhamento do Ministério Público e do Tribunal de Contas reforça que não se trata de censura cultural, mas de gestão séria e compromisso com o dinheiro do contribuinte.
É importante inverter a lógica do
debate
O problema não é o município que se
recusa a pagar cachês milionários; o problema é um mercado que perdeu o senso
de proporção. Cultura não pode ser refém de cifras infladas, nem o poder
público pode ser tratado como cliente cativo de agendas abusivas.
Ao priorizar atrações regionais, os
municípios fortalecem a cultura local, distribuem renda, geram emprego e
valorizam artistas que mantêm viva a identidade cultural das comunidades. Ao
mesmo tempo, forçam uma necessária correção de rota no mercado nacional de
shows, oxigenando o setor privado e devolvendo racionalidade aos preços.
A discussão iniciada na Bahia aponta
para um caminho que precisa ser seguido em todo o país. Defender limites,
transparência e responsabilidade não é atacar a cultura — é defender a
sociedade, o interesse público e o direito de o dinheiro coletivo ser usado com
equilíbrio e justiça.


