segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Cachês milionários: quando o espetáculo pesa contra os municípios e a sociedade

 


O mercado de shows no Brasil chegou a um ponto de desequilíbrio evidente. Cachês que ultrapassam R$ 1,5 milhão — e que já flertam com a casa dos R$ 2 milhões — deixaram de ser exceção para se tornar regra em grandes eventos. O resultado é perverso: festas privadas tradicionais estão sendo sufocadas e os municípios, pressionados a assumir custos que não condizem com a realidade financeira da maioria das cidades brasileiras.

É preciso dizer com clareza: não há orçamento público que suporte essa escalada sem consequências. Quando uma prefeitura destina milhões para poucas horas de apresentação, o impacto recai diretamente sobre áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e assistência social. A conta não fecha — e quem paga é a sociedade.

Produtores privados já entenderam o recado do mercado.

Muitos eventos de camisa e bilheteria desapareceram, outros encolheram drasticamente. Não por falta de público, mas porque os cachês tornaram-se incompatíveis com qualquer lógica de sustentabilidade financeira. O público, por sua vez, também foi empurrado para fora: ingressos cada vez mais caros afastam famílias e elitizam festas que sempre tiveram caráter popular.

Diante desse cenário

A iniciativa dos prefeitos baianos, por meio da UPB, de discutir um teto de gastos por atração é não apenas legítima, mas necessária - muitas bandas que não tem um sucesso, uma historia na musica ou sumiram e retornaram apos pandemia exigem uma cachê fora da sua realdiade musical - Essa realidade discutuda pelos prefeitos trata-se de um movimento responsável, que busca proteger os cofres públicos, garantir previsibilidade orçamentária e resguardar o interesse coletivo. O acompanhamento do Ministério Público e do Tribunal de Contas reforça que não se trata de censura cultural, mas de gestão séria e compromisso com o dinheiro do contribuinte.

É importante inverter a lógica do debate

O problema não é o município que se recusa a pagar cachês milionários; o problema é um mercado que perdeu o senso de proporção. Cultura não pode ser refém de cifras infladas, nem o poder público pode ser tratado como cliente cativo de agendas abusivas.

Ao priorizar atrações regionais, os municípios fortalecem a cultura local, distribuem renda, geram emprego e valorizam artistas que mantêm viva a identidade cultural das comunidades. Ao mesmo tempo, forçam uma necessária correção de rota no mercado nacional de shows, oxigenando o setor privado e devolvendo racionalidade aos preços.

A discussão iniciada na Bahia aponta para um caminho que precisa ser seguido em todo o país. Defender limites, transparência e responsabilidade não é atacar a cultura — é defender a sociedade, o interesse público e o direito de o dinheiro coletivo ser usado com equilíbrio e justiça.