Apesar dos discursos bonitos sobre
desenvolvimento social, o Brasil segue enfrentando uma dura realidade: quase
metade das prefeituras do país não possui nenhuma estrutura para tratar da fome.
Segundo dados da Pesquisa de
Informações Básicas Estaduais e Municipais (Munic), divulgada pelo IBGE,
49% dos municípios brasileiros não têm órgãos públicos voltados à segurança
alimentar e nutricional — ou seja, não existe uma secretaria, coordenação
ou departamento com responsabilidade direta sobre o tema.
E o problema não para por aí. Apenas
51% das cidades afirmaram contar com conselhos de segurança alimentar,
espaços que garantem a participação da sociedade civil nas decisões e
diretrizes de combate à fome.
Enquanto isso, o Brasil ainda convive
com milhões de famílias em insegurança alimentar, dependendo de cestas básicas
e ações emergenciais para colocar comida na mesa.
A gerente da pesquisa, Vania Maria
Pacheco, reconhece que há avanços em comparação a 2018, quando apenas 36,6%
dos municípios tinham estruturas organizadas para o setor. Mesmo assim, o
cenário continua alarmante. “Mesmo com números modestos, é um bom indicativo da
presença da política nos municípios”, avalia.
Os dados mostram também que quanto maior
o município, maior o compromisso com a pauta. Entre cidades com até 5 mil
habitantes, apenas 39,6% possuem estrutura para segurança alimentar. Já nas que
têm mais de 500 mil moradores, o índice chega a 91,7%.
Em nível estadual, todas as 26
unidades da federação que responderam ao IBGE declararam ter alguma instituição
de segurança alimentar. Rondônia foi a única que não prestou informações.
No fim das contas, o levantamento do
IBGE escancara um fato que o país insiste em empurrar para debaixo do prato: o
combate à fome ainda não é prioridade para metade das prefeituras brasileiras.
E, enquanto o tema for tratado como assunto secundário, a desigualdade
continuará sendo o prato principal servido ao povo.


